terça-feira, 13 de agosto de 2019

Tradução da “Internacional” em iídiche


Link curto pra esta publicação: fishuk.cc/intern-iidiche


Achei por acaso um áudio com este vídeo, e com a letra nos dois alfabetos na descrição, e resolvi fazer uma montagem rápida, mesmo sem traduzir. É o famoso hino A Internacional, dos movimentos socialista, anarquista e comunista, em iídiche, língua germânica derivada do alemão medieval, majoritária entre os judeus da Europa até o Holocausto. Depois, muitos deles foram dizimados, e os que foram pra Israel optaram por usar o hebraico moderno, por influência do movimento sionista. Como lembra a Wikipédia, o iídiche, junto com o alemão, inglês, holandês, frísio, luxemburguês, africâner, pomerano, limburguês e ânglico escocês, é classificado como uma língua germânica ocidental, e em registros antigos era chamado “judeo-alemão”. Deve-se lembrar que Lenin, um cara bastante mestiço, tinha parte da ascendência judaica, e que bolcheviques proeminentes, como Leon Trotsky (sobrenome original Bronshtein), Iakov Sverdlov (nome original Solomon), Grigori Zinoviev (nascido Hirsch Apfelbaum) e Lev Kamenev (nascido Leo Rosenfeld), eram de famílias judias. Consultem este artigo de Mark Weber saído em 1994, destacando a proeminência judaica entre os primeiros líderes bolcheviques.

Segundo a Enciclopédia Britannica, o iídiche (ou ídiche) é a língua dos judeus asquenazes, ou seja, que viviam na Europa Central e Oriental, assim como seus descendentes, escrita com o alfabeto hebraico. Tornada uma das línguas mais difundidas do mundo, presente nos países onde havia população judia no século 19, é uma das três principais línguas literárias da histórica dos judeus, junto com o hebraico e o aramaico. Surgindo no século 9, mas começando a se escrever só no século 12, o iídiche se formou com a fusão de uma maioria gramatical e lexical do alemão meridional com elementos hebraicos e aramaicos pós-clássicos e alguns românicos, mais tarde ainda adquirindo palavras eslavas. Entre os muitos dialetos, o ocidental floresceu gradualmente como língua literária, mas virtualmente extinto com a formação da Alemanha, deu espaço ao dialeto oriental no século 19. Mesmo na União Soviética de Stalin, o iídiche sofreu perseguição oficial, assim como o esperanto.

Quem canta nesta gravação é Karsten Troyke, segundo a fonte de onde baixei o áudio. Daí eu também tirei a letra em iídiche, nos alfabetos hebraico e latino, e só fiz leves correções. Troyke (n. 1960) nasceu em Berlim e é um ator, locutor e cantor de músicas judaicas. De mãe não judia e pai judeu, trabalhou também como jardineiro e cuidador de crianças deficientes, e começou a atuar em 1982. Especializou-se na gravação e estudo de canções em iídiche, tendo as gravado em muitos álbuns solo e em conjunto, e ministrando aulas e oficinas sobre o assunto. Também montei o vídeo com as legendas nas duas escritas, sem tradução, porque me parece que o sentido é quase igual ao das versões francesa, russa e portuguesa, que você já conhece. Essa bandeira não existe de verdade, eu é que montei de brincadeira: viva a República Socialista Soviética dos Judeus, rs.

Em iídiche, o célebre hino A Internacional se chama Der Internatsyonal (דער אינטערנאַציאָנאַל), mas não sei quem fez a tradução. Vocês podem nesta postagem minha aprender a ortografia iídiche (latina e hebraica), e no link citado acima sobre o hino em russo, há também a história completa da letra. Seguem as legendas e a letra em iídiche nos dois alfabetos:


1. Shtayt oyf, ir ale, ver vi shklafn,
In hinger leybn miz, in noit!
Der gayst ‒ er kokht, er rift tsi vafn
In shlakht indz firn iz er greyt.
Di velt fin gvaldtatn in laydn
Tseshtern veln mir in dan:
Fin frayheyt, glaykhheyt a Gan-Aydn
Bashafn vet der arbetsman.

Refrão (2x):
Dus vet zayn shoyn der letster
In antshaydener shtrayt!
Mit dem Internatsyonal
Shtayt oyf, ir arbetsleyt!

2. Nayn, kayner vet indz nisht bafrayen:
Nisht Got alayn in nisht kayn held ‒
Mit indzer eygenem kley-zayin
Derleyzung brengen mir der velt.
Arup dem yokh! Genig gelitn,
Genig fargosn blit in shvays!
Tsebluzt dus fayer, lomir shmidn
Kol-zman dus ayzn iz nokh hays!

(Refrão 2x)

3. Der arbetsman vet zayn memshule
Farshpraytn oyf der gantser erd,
In parazitn di mapule
Bakimen veln fin zayn shverd.
Di groyse shturemteg zay veln
Nor far tiranen shreklekh zayn;
Zay konen ober nisht farshteln
Far indz di hele zinen-shayn.

(Refrão 2x)

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1. שטײט אױף, איר אַלע, װער ווי שקלאַפֿן,
אין הונגער לעבן מוז, אין נױט!
דער גײַסט - ער קאָכט, ער רופֿט צו װאָפֿן
אין שלאַכט אונדז פֿירן איז ער גרײט!
די װעלט פֿון גװאַלדטאַטן און לײדן
צעשטערן װעלן מיר און דאַן
פֿון פֿרײַהײט, גלײַכהײט אַ גַן־עֵדֶן
באַשאַפֿן װעט דער אַרבעטסמאַן!

Refrão (2x):
דאָס װעט זײַן שױן דער לעצטער
און ענטשידענער שטרײַט!
מיט דעם אינטערנאַציאָנאַל
שטײט אױף, איר אַרבעטסלײַט!

2. ניין, קיינער וועט אונדז נישט באַפֿרײַען
נישט גאָט אליין און נישט קיין העלד!
מיט אונדזער אייגענעם כּלֵי־זַיִן
דערלייזונג ברענגען מיר דער וועלט.
אַראָפ דעם יאָך! גענוג געליטן.
גענוג פֿאַרגאָסן בלוט און שווייס!
צעבלאָזט דעם פֿײַער, לאָמיר שמידן
כּל־זמאַן דאָס אײַזן איז נאָך הייס!

(Refrão 2x)

3. דער ארבעטסמאַן וועט זײַן מֶמשָלָה
פֿערשפרייטן אויף דער גאַנצער ערד,‬
און פאַראַזיטן די מַפָּלָה
באַקומען וועלן פֿון זײַן שווערד
די גרויסע שטורעם־טעג זיי וועלן
נאָר פֿאַר טיראַנען שרעקלעך זײַן;
זיי קאָנען אָבער נישט פֿאַרשטעלן
פֿון אונדז די העלע זונען־שײַן.

(Refrão 2x)