Eu estava procurando uma simples cópia do retrato oficial da primeira presidência de Vladimir Putin pra fazer uma correção na página, quando me deparo com este troço. Sim, a vítima retratada é facilmente identificável, mesmo após passar uma temporada num balneário em Chornobyl. Mas o contexto não é tão simples assim, e se pra mim foi uma descoberta interessante, pra você não sei, caso já soubesse dessa curiosa “habilidade”.
George W. Bush, membro do Partido Republicano dos EUA (mas saudavelmente afastado de Trump) e, por dois mandatos (2001-2009), um dos piores presidentes que o país já teve, parece ter começado uma carreira de artista plástico amador, depois de ter se retirado da política. Se julgarmos por suas redes sociais, algumas pinceladas em seu peculiar estilo contemporâneo não parecem tão intragáveis. Porém, após uma pesquisa mais demorada no Google, li alguns internautas comparando as obras a desenhos infantis ou de jovens com pouca habilidade.
Claro que a arte, sobretudo depois que nos aposentamos ou sofremos um grave problema de saúde, pode ser uma ótima terapia, como mostra o trabalho de minha amiga psicóloga Patrícia, de linha vygotskiana e cujo foco, não exclusivo, são as crianças. Mas se você der uma olhada melhor no referido perfil do Flickr (quem ainda usa isso?...) que indiquei, o conhecido vingador do Onze de Setembro e invasor do Afeganistão e do Iraque chegou a dedicar uma exposição inteira a vários chefes de Estado e de governo que ele conheceu pessoalmente, e o pior de tudo: pintados nesse mesmo estilo... na falta de um nome melhor, Cecilia Giménez. Se houve um, como teria ficado o do Lula?

O bizarro é que em meio a prováveis crises diplomáticas em potencial, a foto no Flickr, tirada por Grant Miller, traz a seguinte legenda (Google adaptado): “Trabalhei duro pra ter uma relação pessoal com Vladimir Putin, de modo que, quando discuto coisas com ele, posso encontrar pontos de acordo, mas também tenho uma relação que me permite, sem romper contatos, levantar pontos que preocupam.” (I’ve worked hard to have a personal relationship with Vladimir Putin so that when I discuss things with him, I can find areas of agreement – but I’ve also got a relationship such that I can bring up areas of concern without rupturing relations.)
Exceto pela estética, que ele talvez considerasse “arte degenerada”, poderia ser muito bem assinado pelo Laranjão sem tirar nem pôr uma vírgula, não?


Estranhamente, não é a primeira vez que um criminoso de guerra que levou seu país à crise, em algum momento de sua vida, revela dons artísticos não reconhecidos por todos. No caso do americano, foi bem depois de sua atuação pública e, ao que parece, não esteve entre as motivações de suas ações posteriores...
