segunda-feira, 7 de abril de 2025

Os velhologismos de Castro Lopes


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O brasileiro Antônio de Castro Lopes (1827-1901) era um médico de formação, mas também um latinista e filólogo amador (percebeu alguma semelhança com certo oculista polonês que queria acabar com as barreiras linguísticas?...). No final do século 19, período de otimismo no Ocidente, quando se pensava que a humanidade era uma massinha infantil pronta pra ser revolvida e moldada por qualquer maluco com belas ideias grandiloquentes, ele fez publicar uma obra interessante, mas hoje esquecida dos estudiosos em geral. Neologismos indispensáveis e barbarismos dispensáveis data de 1889, mesmo ano da Proclamação da República, e pode ser baixada livremente em formato PDF graças ao maravilhoso trabalho da USP.

Assim como certos Aldos Rebelos que pululam por aqui de tempos em tempos reclamando do uso excessivo de palavras inglesas mal pronunciadas, Castro Lopes (jovens, não confundam com Castro Alves!) resolveu então sugerir meios e exemplos pra substituir a invasão da dominante língua francesa. Não se sabe de que forma ele tentou ou conseguiu (quando conseguiu) influir na adoção dessas palavras – se por leitores jornalistas, professores, escritores, lexicógrafos, publicistas etc. –, mas fato é que, enquanto algumas “pegaram” (como vemos nos artigos abaixo), outras desapareceram com o tempo e se tornaram artigo de curiosidade. Interessante também sua designação como “barbarismos” das palavras estrangeiras que se assimilavam mais ou menos ao português. “Bárbaro” era a palavra grega de origem onomatopaica e um tanto pejorativa pra qualquer povo externo ou desconhecido, matiz que se manteve também no Ocidente moderno, ainda que implicando também desordem, destruição e imoralidade. Nesse ínterim, “povos bárbaros” é uma expressão pros invasores da Europa medieval que deve ser tomada com cautela.

Retorno: talvez o mais famoso dos fracassos de Castro Lopes tenha sido “ludopédio”, termo que os aficionados pelo nobre esporte bretão já devem ter visto alguma vez. Não passava de um neolatinismo com que desejou substituir o inglês (ainda não aclimatado) “football”, empregando os elementos eruditos “lud-” (jogo, ao invés de bola/ball) e “ped-” (pé). Ou seja, nosso oftalmo não interpretou como “bola (ball) no/com o pé (foot)”, ou “bolapé”, como já vi certa vez (rs), mas como “jogo com os pés”. Qual seria o problema? Ele desconhecia se os romanos brincavam de bola, ou achava que inexistiam outros esportes pedestres (corridas ainda não eram populares)? Mas vale a pena conhecer o resto de seu trabalho, portanto, sugiro recorrerem diretamente ao livro citado (segunda edição revista e aumentada por seu filho em 1909, que não consultei pra escrever esta abertura), bem como aos artigos abaixo, que só copiei e cuja edição adaptei, sobretudo, concernente à reforma ortográfica. Mantive os conteúdos integrais, portanto, o todo pode parecer um tanto repetitivo.

A felicidade da alusão a Zamenhof feita acima é que os idiomas humanos, do ponto de vista sociológico, parecem consistir num campo visto, por certos grupos ideológicos e de poder, como maleável, padronizável e simbolicamente carregado. Os Estados nacionais nos séculos 19 e 20 buscaram normatizar, unificar e até “purificar” suas línguas em todo o território sob sua jurisdição. Foi aventada a possibilidade de se planejar uma língua única a ser aprendida em todo o planeta e, assim, supostamente transpor a barreira da incompreensão e das supostas guerras que causaria (era só nisso que sérvios e croatas não se entendiam? E fazia tanta falta assim um Duolingo?). George Orwell usou seu conceito de “novilíngua” pra expressar a manipulação do vocabulário por regimes autoritários – mais atual do que nunca, com a invasão de rapina se tornando “operação militar especial” e a ditadura capitalista, “democracia iliberal”... E por que não citar a linguagem “neutre não binárie”, que confunde o conceito de gênero gramatical com o de gênero biológico, mas cujo impacto e aceitação geral (ou não, devido a seus pregadores extremistas) só veremos em alguns anos?

Tudo pra dizer que, em minha concepção, e na de alguns linguistas, idiomas e linguagens em geral são, sim, maleáveis, mas sua transformação é orgânica, natural, incorporada nas transformações humanas mais gerais, que, assim como aquelas, não podem ser ditadas de antemão. Portanto, sou pelo não proibir, mas também (salvo raríssimos casos, como expressões racistas, preconceituosas etc.) não impor sem critério. Nem Castro Lopes, nem Zamenhof, nem Trumputin, nem a “galere descolade” entenderam a precedência (mas não prevalência!) do descrito sobre a descrição ou a importância de apenas sentar na margem e observar o rio correr sozinho...


Sérgio Rodrigues, Convescote não tem cardápio (Veja, 26 de abril de 2011); ouça também sua coluna na Rádio CBN de 20 de junho de 2017 sobre o mesmo tema, mas que não tive tempo de transcrever.

A propósito daquela tola lei antiestrangeirismo proposta por um deputado gaúcho [Raul Carrion, estadual do PCdoB, que legislou de 2007 a 2014], que comentei aqui no domingo, é bom lembrar as realizações – e os fracassos, bem mais numerosos – de um personagem pitoresco das letras brasileiras do século 19, uma espécie de patrono dos xenófobos linguísticos: o latinista Antônio de Castro Lopes (1827-1901), que Machado de Assis chamava, com ironia, de “nossa Academia Francesa”.

Incomodado com a grande circulação de palavras vindas de fora, especialmente do francês, o idioma imperialista da época, Castro Lopes lançou em 1889 o livro Neologismos indispensáveis e barbarismos dispensáveis, em que propunha uma série de neologismos, forjados por ele mesmo, como substitutos de estrangeirismos que considerava “bárbaros” (atenção, moçada, o sentido aqui é negativo).

De sua quixotesca fábrica de vocábulos saíram termos esquisitos que não tardaram a cair no mais completo esquecimento: cinesíforo (chofer), ludâmbulo (turista), runimol (avalanche) e focale (cachecol) são alguns deles. Outras de suas invenções tiveram uma sobrevivência anêmica como palavras raras e ainda hoje são encontráveis no dicionário, embora não frequentem a língua viva há muito tempo: é o caso de lucivelo (abajur), nasóculos (pincenê) e preconício (reclame, propaganda).

No entanto, Castro Lopes também marcou seus golzinhos. Cardápio, que ele criou a partir das palavras latinas charta (carta) e daps (banquete) para substituir o francês menu, tornou-se termo de grande circulação, embora menu continue sendo usado também.

Se cardápio é seu produto de maior sucesso, meu castrolopismo preferido é outro: convescote. Essa palavra adorável, que quer dizer piquenique, ainda aparece de vez em quando na língua de verdade, quase sempre acompanhada daquela inflexão sarcástica ou brincalhona de quem sabe estar lançando mão de um termo de época. O curioso é que, para forjá-la, o latinista se arriscou a minar sua regra de ouro: convescote vem de “conv(ívio)” e “escote” (cota que cabe a cada um numa vaquinha).

Ocorre que “escote” também é um galicismo, do francês antigo escot. Sua única diferença em relação às palavras que Castro Lopes condenava era a antiguidade: tinha chegado ao português no século 16. Quer dizer que o tempo lava tão bem a estrangeirice dos estrangeirismos que até um purista passa a aceitá-los? Exatamente. O abajur, o turista, o chofer, a avalanche e o cachecol só precisavam de tempo. E o tempo passou, apesar do engenhoso Castro Lopes.


Paulo Nogueira, O último latinista: a saga de Castro Lopes, o homem que tentou substituir a palavra futebol por ludopédio (DCM, 21 de novembro de 2012); mesmo vindo do blogueco pró-Putin que via de regra me recuso até a abrir só pra não monetizar, é curioso como então havia gente aí que fazia jornalismo, e não só propaganda vassala do petê...

Ele achava que neologismos indispensáveis deviam substituir barbarismos dispensáveis, mas sua cruzada foi em vão

Em 1989, a revista Veja fez um suplemento em comemoração aos 100 anos da República. A graça é que os textos foram escritos como se os jornalistas vivêssemos na época da proclamação. Era como se estivéssemos cobrindo-a na semana mesma de 15 de novembro. Eu saíra fazia pouco tempo da Veja para ser editor-executivo da Exame. Mesmo assim, me encomendaram dois artigos: um perfil do Barão de Mauá, o maior empresário brasileiro de então, e um perfil de um latinista arrebatado, Castro Lopes. Lopes quis purificar a língua falada no Brasil de anglicismos e galicismos, e produziu neologismos como ludopédio para substituir o futebol. Quase nada vingou, como você poderá ver no quadro posto no pé deste artigo, exceto por uma ou outra palavra como roupão, que ocupou o lugar do peignoir. Você pode apreciar o esforço titanicamente frustrado de Lopes nas linhas abaixo.

É possível que o leitor esteja lendo esta revista agora em sua cama, com a ajuda de seus nasóculos e à luz suave de um lucivelo. Os artigos escritos pelos alvissareiros misturam-se, harmoniosamente, aos preconícios que louvam as virtudes de sortidos produtos. Faz calor neste final de primavera, e decerto o nosso leitor não retira há muito tempo de sua gaveta o focale que lhe aquece o pescoço no frio. E ele provavelmente terá reparado como é grande, nos últimos tempos, o número de ludâmbulos que, vindos de outros Estados e até de outros países, se abalam a conhecer os encantos da cidade.

Não te sintas o mais ignaro dos brasileiros se, no parágrafo anterior, tropeçaste em vocábulos como “nasóculos”, “Iucivelo”, “alvissareiro”, “preconício”, “focale” e “ludâmbulos”. Consultados sobre o significado de tais palavras, quase todos os jornalistas desta revista que ora tens em mãos tropeçaram exatamente onde foste ao chão. Um, mais curioso, tratou de correr ao Caldas Aulete, mas foi inútil. Cerrou as páginas do dicionário tão no ar quanto as abrira. É que todas aquelas palavras acabam de ser criadas pelo gramático carioca Antônio de Castro Lopes, 62 anos, um latinista de nomeada que é médico por profissão e decidiu investir contra os galicismos e anglicismos que, a seu ver, contaminaram atrozmente a língua pátria. As palavras a que Castro Lopes tenta dar vida e aquelas que ele pretende suprimir estão arroladas no recém-lançado Neologismos Indispensáveis e Barbarismos Dispensáveis, livro que serviu de tema para conversas, e piadas, trocadas entre o ex-imperador Pedro II e o Visconde de Taunay.

“Não é de desenterrar palavras mortas e sepultadas que se trata”, explica o autor no prefácio do opúsculo. “Mas de limpar, de expurgar a linguagem vernácula de vozes bárbaras, de construções contrárias à índole daquela, e de criar com bons elementos termos que no idioma português faltem para traduzir os exóticos”. Castro Lopes não tenta promover reformas apenas na língua portuguesa. Sugere muitas outras. Tem, pronta, uma fórmula para acabar com a dívida interna e externa do país, ou, pelo menos, é o que garante. Tal fórmula apoia-se numa moeda universal, o ponto alto da plataforma com a qual se lançou candidato a deputado provincial pelo Rio de Janeiro. Não se conhece nenhuma adesão de outros países à tal da moeda universal do latinista, mas o fato é que ele se elegeu deputado. Acusem-no, os que quiserem, de purista extremado, mas não o tomem por rabugento. Será um equívoco. Castro Lopes tem um surpreendente bom humor. Daria um excelente cômico se quisesse. Observe-se sua investida contra a palavra peignoir. Não cria, no caso, um neologismo. Vai buscar o vocábulo português que julga correspondente: roupão. Dirigindo-se ao “belo sexo”, Castro Lopes pergunta: “Por que empregareis o termo francês peignoir quando esse traje não serve para o fim que o nome indica?” Logo depois, lança, às damas nacionais, um apelo que revela seu talento humorístico: “Despi, portanto, eu vos suplico, o peignoir francês, e vesti o vosso roupão”.

Se daqui a 100 anos os neologismos do senhor Castro Lopes estarão vivos ou mortos, ninguém pode saber. Alguém usará a expressão “protofonia” como abertura de um ensaio, uma ópera, uma peça? Haverá crianças que peçam aos pais que façam um convescote domingo no parque, em vez de piquenique? Em duas crônicas recentes, o escritor Machado de Assis referiu-se ao trabalho de Castro Lopes com sarcasmo reprovador. O latinista não se intimida. Diz-se à boca miúda que, a cada golpe desferido por um adversário, responde com um toast solitário à cruzada pelo vernáculo – perdão, onde se leu “toast”, leia-se brinde.

Pérolas de um latinista: como é e como fica

  • Abajur – Lucivelo ou lucivéu
  • Avalanche – Runimol
  • Bijuteria – Joalheira
  • Boulevard – Calçada
  • Cachecol – Focale
  • Chalé – Castelete
  • Champignons – Cogumelos
  • Claque – Venaplauso
    [definição 1 do Priberam e do Aulete]
  • Debut – Estreia
  • Engrenagem – Entrosagem
  • Feérico – Fatídico
  • Massagem – Premagem
  • Mise-en-scène – Encenação
  • Nuance – Ancenúbio
  • Pince-nez – Nasóculos
  • Piquenique – Convescote
  • Reclame – Preconício
  • Repórter – Alvissareiro
  • Turista – Ludâmbulo


Helder Guégués, Ementa, menu, cardápio: Escolham o melhor (Linguagista, 12 de janeiro de 2014).

«Encontrei por acaso, outro dia, o cardápio de um dos nossos jantares (para dez pessoas)» (Autobiografia, Agatha Christie. Tradução de Maria Helena Trigueiros. Lisboa: Livros do Brasil, [1978], «Colecção Dois Mundos», p. 50).

Aqui há uns anos, ainda variavam entre «ementa» e o galicismo «menu»; agora, só este lhes sai do bestunto. «Cardápio», então, julgam que foi acabado de inventar por mim. Ah, mas esperem... Foi inventado, sabiam?, por um brasileiro, e a verdade é que pegou mais ou menos. Pelo menos a mim ocorre-me sempre – repito: sempre – que leio a palavra «menu» ou «ementa».

No Brasil “cardápio” é corrente, ao lado de “menu”; usa-se “carta” também em alguns casos, já “ementa” quase nunca, ou nunca.

[Curiosamente, o autor não cita a origem de “cardápio” e alguém escreve em comentário:] O latinista Antônio de Castro Lopes (1827-1901), “inventor” também de abajur, lucivelo ou lucivéu [e ele repete a mesma lista do artigo de Nogueira]. “Estreia” e “encenação” são usados, o resto é história.

E o arrepiante “necrotério” é criação do Visconde de Taunay; e quase ninguém mais sabe aqui o que é “morgue”.

E em junho teremos no Brasil a Copa do Mundo de Ludopédio.



domingo, 6 de abril de 2025

“Летіла зозуля” (Um cuco voava)


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Meu colega de um curso online de língua ucraniana, Luciano Klusczkowski, está cada vez mais empenhado em trabalhos musicais de diversos tipos, e entre aulas e apresentações, ele quase não para, rs. Morador de Guarapuava, cidade do Paraná com importante colônia de descendentes de ucranianos, ele fez a gentileza de me enviar a execução coral da canção popular anônima “Летіла зозуля через мою хату” (Letíla zozúlia cheréz moiú khátu), Um cuco estava voando através de minha choupana, na qual ele toca o harmônio, instrumento de foles usado primordialmente na música indiana. Luciano está muito feliz por avançar na unificação dos corais das igrejas ucranianas locais de São Nicolau Madeirit e da Assunção de Nossa Senhora, que aparecem no belo vídeo abaixo.

Infelizmente, a letra completa não é cantada, e segue também uma interpretação no YouTube. Dada a falta de tempo, não traduzi diretamente do original ucraniano indicado acima, o qual, porém, usei a título de comparação. Usei as traduções em inglês do coral (que curiosidade!) Béloie Zláto, deste arquivo em formato DOC (que também tem a partitura) e, em menor grau, de um dos maiores portais de letras traduzidas do mundo. Traduzi tanto kozák quanto kozachénko como “cossaco”, ignorando o sufixo diminutivo. E o verbo que designa especificamente o canto do cuco na segunda estrofe, kuváty, não tem tradução exata em português.

Em todas as estrofes, os dois últimos versos são repetidos, o que não indiquei na escrita. E como bônus, segue ao final um vídeo exclusivo com Luciano e outros amigos tocando Щедрик (Shchédryk), composta por Mykóla Leontóvych e considerada a melodia ucraniana mais conhecida no mundo, embora poucos conheçam seu uso original como canção de Ano Novo. Ele mesmo pediu pra divulgar sua arte sempre mais frutífera, portanto, colabore você também pra viralização desse talento:




Um cuco estava voando
Através de minha choupana
Ele pousou num viburno
E começou a cantar

“Oh, pelo quê, cuco
Pelo que você está cantando?
Você por acaso, cuco
Está me ouvindo bem?”

“Se eu não tivesse ouvido
Eu não teria cantado
Sobre você, menina
E contado toda a verdade”

“Oh, meu Deus
Deus, o que foi que fiz?
O cossaco é casado
Mas eu me apaixonei

O cossaco é casado
E tem uns dois filhos
E tem uns dois filhos
Ambos de pele morena”

“Eu vou alugar
Essas crianças
E com você, Marúsia
Ir passear no parque”

O cossaco foi passear
Por um domingo e duas noites
O cossaco veio
Fazer uma visita à menina

“Oh Deus, meu Deus,
O que é que fui fazer
Declarei meu amor
A uma mulher no estrangeiro

Não tanto pela mulher
Quanto pelas duas crianças
Meu coração se partiu
Em duas metades”

Летіла зозуля
Через мою хату
Сіла на калині
Та й стала кувати

“Ой, чого ж, зозуле
Ой, чого ж ти куєш
Хіба ж ти, зозуле
Добро мене чуєш?”

“Як би не чувала
То би б я й не кувала
Про тебе, дівчино
Всю правду сказала”

“Ой, Боже ж мой, Боже
Що ж я наробила
Козак має жінку
А я й полюбила

Козак має жінку
Ще й діточок двоє
Ще й діточок двоє
Чорняві обоє”

“А я й тих діточок
В найми понаймаю
З тобой, Марусино
В саду й погуляю”

Гуляв козаченько
Неділю й дві ночі
Прийшов козаченько
До дівчини в гості

“Ой, Боже ж мой, Боже
Який я й удався
На чужій сторонці
За жінку признався

Не так вже й за жінку
Як за дві дитини
Розкололось серце
На дві половини”



sábado, 5 de abril de 2025

Brasil se saiu bem com “tarifaço”?


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Nesta breve participação de Stéphane Geneste no programa Aujourd’hui l’économie (Hoje a economia) da Rádio França Internacional (RFI), intitulada “Brasil, um dos ganhadores na guerra comercial de Donald Trump?”, ele mostra que o país tem boas oportunidades pela frente após o tarifaço geral decretado pela Boneca Russa e que seus negociadores têm sido ativos na busca por novas parcerias comerciais. Ao ler o texto publicado no último dia 3 de abril, devo admitir que a “nanodiplomacia” tão alvejada por minhas críticas até deu uma bola dentro, mas, além das potenciais armadilhas apontadas, eu diria que futuras blindagens só são possíveis com uma modernização completa de nosso modelo econômico: a saber, mais foco (mas não só, claro) na indústria e nas novas tecnologias. Segue minha tradução, com pouca adaptação no conteúdo:



Eis que Donald Trump declarou uma guerra comercial ao mundo inteiro. O presidente americano lançou sua ofensiva nesta quarta-feira, 2 de abril, e ninguém foi poupado, fossem amigos ou inimigos. Dez por cento no mínimo e às vezes mais pra alguns, como China, Vietnã e Camboja. O Brasil está entre os “sortudos” afetados por um aumento de apenas 10%.

Antes de tudo, vale lembrar que Brasil e Estados Unidos estão economicamente ligados. Os EUA são o maior investidor na maior economia da América Latina. O Brasil também é um dos grandes exportadores da região. Exemplos incluem soja, carne bovina, frango e aço. Aliás, os americanos importam muito tudo isso. Mas a balança comercial entre os dois países é superavitária do lado americano, o que é uma vantagem pra Brasília.

Fora da mira de Donald Trump – De fato, Donald Trump tem como alvo principal os países que mais exportam para os EUA do que importam. O Brasil pode, portanto, tirar proveito dessa situação. O presidente Lula, aliás, assimilou isso perfeitamente. Ele não quer encerrar o diálogo com Washington. Como prova, na semana passada, uma missão brasileira esteve na capital americana para se reunir com o governo Trump. Apesar disso, o Brasil respondeu com a votação, há algumas horas, pelo Congresso Nacional, de uma lei em resposta às medidas americanas. Mas o governo brasileiro também conseguiu estabelecer outras parcerias que lhe permitem evitar um prejuízo excessivo.

Vá procurar em outro lugar! – Entre essas novas parcerias, a China. Pequim também se tornou o maior parceiro comercial do Brasil. Os dois realizam muitas trocas. Empresas brasileiras exportam, sobretudo, soja, frango e carne bovina. E é aqui que fica interessante, como você bem percebeu, já que a China é particularmente visada pelos EUA. Pequim respondeu exatamente aumentando as tarifas sobre os produtos agrícolas estratégicos dos EUA, como soja e carne. A China pode, portanto, encontrar no Brasil uma alternativa viável pra suas necessidades em bens de consumo cotidiano. As empresas chinesas, e essa é obviamente a contrapartida, estão presentes em solo brasileiro, onde investem fortemente na construção de infraestrutura essencial à atividade econômica, como estradas, ferrovias e portos.

Uma oportunidade com riscos – Se olharmos apenas pro frango e ovos brasileiros, as exportações desses dois produtos à China estão explodindo. Entre 9% e 20% de aumento em relação ao ano passado. Como prova da confiança, o índice da bolsa brasileira, baseado principalmente em matérias-primas, subiu 9% nas últimas semanas , enquanto os principais preços globais estão no vermelho. Mas, embora essa situação pareça benéfica no curto prazo, no longo prazo ela expõe o Brasil a uma forte dependência da China. E se as relações sino-americanas melhorarem, todo o equilíbrio que acabamos de mencionar se tornaria instável. Portanto, as autoridades brasileiras estão jogando em vários tabuleiros. Recentemente, assinaram novos acordos com o Japão e, no âmbito do acordo do Mercosul, com os europeus. Uma situação que permite ao país fortalecer sua posição no cenário do comércio internacional e estimular seu crescimento econômico!



sexta-feira, 4 de abril de 2025

Milei não tá nem aí pras Falklands?


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O dia 2 de abril é lembrado todos os anos na Argentina como de lembrança pela reivindicação de sua soberania sobre o arquipélago das Malvinas, que inclui duas grandes ilhas principais e várias outras menores, abrangendo um espaço marítimo que inclui diversos recursos minerais e pesqueiros importantes. Desde o início do século 19, ela está ocupada pelo Reino Unido, que chama a área de “Falklands” e na época formava o maior império territorial não contíguo de toda a história, e mesmo com a independência da Argentina ante a Espanha e seu império, os britânicos se recusaram a ceder seu controle a Buenos Aires. A reivindicação do país sul-americano nunca cessou e continua até hoje, num movimento que teve altos e baixos.

Já fiz duas publicações a respeito da questão: a primeira traz a história e a tradução da Marcha das Malvinas, hino oficial de celebração do 2 de Abril, mas composto muitos anos antes, e a segunda mostra uma canção de propaganda televisionada pela ditadura militar (1976-83, que chamava a si mesma “Processo de Reorganização Nacional” ou apenas “Processo”), geralmente chamada Argentinos a vencer. O que importa relembrar aqui, algo não muito confortável pro patriotismo platino, é que o ditador Leopoldo Galtieri resolveu aproveitar sua baixa popularidade pra tentar resolver a questão de uma vez por todas, manu militari, invadindo o arquipélago a 2 de abril de 1982 e unindo todo o povo numa onda de ufanismo histérico e anestésico. (Até Zelensky, que só era aprovado por pouco mais de 30% dos ucranianos, viu subitamente mais de 90% a seu favor após a invasão dos porcos ruSSos...) Todo mundo sabia que a Argentina não tinha as mínimas condições militares de enfrentar uma das maiores potências da época, mesmo arrastando o conflito por dois longos meses.

Margaret Thatcher, primeira-ministra conservadora do Reino Unido na época, também se via às voltas com os críticos de suas espartanas reformas econômicas e Galtieri também acabou lhe dando de graça um presente a sua popularidade. Contudo, não só a utilidade de manter as Malvinas foi contestada até mesmo pelo então presidente dos EUA, Ronald “Alma Gêmea” Reagan (que terminou adotando uma “neutralidade conivente”), como também o afundamento em águas internacionais do cruzador General Belgrano, apinhado de centenas de recrutas argentinos inofensivos e inexperientes, foi considerado um crime de guerra pela comunidade internacional. O desfecho quase natural foi a vitória britânica, mas ao custo de vários mortos e centenas de feridos, muitos dos quais graves e com permanentes traumas mentais, o que gerou críticas à “Dama de Ferro” mesmo dentro do próprio país – e ao uso político da “questão das Falklands”, que levou a reeleições prolongando seu mandato até 1990.

Mas não se engane: quase nenhum argentino contesta a soberania nacional sobre as Malvinas, que eles consideram um território usurpado por Londres, e é talvez a única questão (à parte o futebol?) que une pessoas de todas as ideologias, literalmente de um extremo ao outro do espectro político. Os veteranos, por exemplo, não se sentem tendo sido usados como bucha de canhão por um regime carcomido, e sim heróis da maior causa pátria moderna, e por isso são religiosamente respeitados. Por isso, a linha do presidente Javier Milei de dar pouca importância à contenda tem gerado incômodo entre a população, embora sua popularidade, a despeito do descalabro socioeconômico, se mantenha relativamente alta. Pra piorar, “El Loco” demonstrou abertamente várias vezes sua admiração (ao menos) pela política econômica de Thatcher, mulher considerada, porém, o KPta encarnado pelos hermanos, que jamais perdoariam qualquer elogio a ela. Os atos oficiais de 2025 parecem ter começado a fazer o vaso transbordar.

Primeiro, sua vice, Victoria Villarruel, não participou do ato no memorial da Praça San Martín com Milei e preferiu se encontrar com militares na Terra do Fogo. Seu pai, militar acusado de exações durante a última ditadura, também foi veterano das Malvinas; o tema lhe é tão caro que em 2024 chegou até a entrar em choque com a ministra do Exterior, Diana Mondino, que buscou diálogos mais condescendentes com o Reino Unido. Segundo, o trêmulo discurso de dez minutos de Milei na capital nacional, no último dia 2, foi considerado “desconjuntado”, por praticamente conter diversas defesas de seu próprio programa de governo e culpar a “casta política” (sempre ela...) pela derrota na guerra de 1982. Causou rebuliço a afirmação de que os “malvinenses” (“kelpers”, em inglês, que Buenos Aires considera não uma população, mas gente implantada pelo colonialismo) poderiam decidir “por conta própria” se tornar argentinos quando o país “se tornasse uma potência” (???). Um imperdoável alinhamento à tese britânica da “autodeterminação”, reafirmada por diversos referendos locais, contestados pelos presidentes anteriores, podendo se traduzir num suicídio político.



E terceiro, vários veteranos da Guerra das Malvinas foram proibidos de participar do evento em Buenos Aires, mesmo tendo vindo de longe pra estar no ato comemorativo, e se sentiram profundamente ofendidos. No ano passado, alguns chegaram até a se recusar a participar de outros desfiles na presença de Milei. O memorial foi fortemente cercado, reunindo um pingo de pessoas, muitas delas ligadas ao conflito, mas que não estiveram na mira do inimigo nem pegaram em armas. Entre os influenciadores, tantas contradições não passaram despercebidas, e um deles, o advogado e escritor Tomás Rebord, lembrou a data cívica no famoso streaming de humor político Blender, alinhado com ideias “progressistas”, segundo La Nación.

Mais uma vez consegui o grosso da transcrição usando o recurso de IA do Microsoft Clipchamp (que distingue entre os vários dialetos do espanhol!) e traduzi usando o Google, mas nas duas etapas, como sempre, dando meu toque final e tirando cacoetes orais. Decidi também terminar a publicação com outro vídeo de uma conta anônima anti-Milei no Équis, que não mencionou as circunstâncias da montagem do vídeo, mas que passa a mesma mensagem e, tendo sido legendado em espanhol (inclusive nas partes em inglês), preferi não traduzir:


Dar el obvio, pero no por eso menos importante. Mañana es 2 de abril, Día del Veterano y de los Caídos en la Guerra de Malvinas, es el día en el que se reivindica nuestra irrestricta e irrenunciable soberanía nacional sobre las Islas Malvinas y Atlántico Sur. Por más que estemos circunstancialmente en un gobierno al que eso no le importe tanto y permanentemente recalque su admiración por figuras como, por ejemplo, la criminal de guerra Margaret Thatcher. Así que me parece importante también desde este lugar irnos con algo parecido a un poquito de sentimiento patriótico, para lo que nos vamos a encontrar el día de mañana, como va a pasar absolutamente todos los años y siempre que quede un argentino en pie en el planeta Tierra. Muchísimas gracias por este espacio, por acompañarnos.

Dando o óbvio, mas não menos importante. Amanhã é 2 de abril, Dia dos Veteranos e dos Tombados na Guerra das Malvinas, dia em que reivindicamos nossa soberania nacional irrestrita e inalienável sobre as Ilhas Malvinas e o Atlântico Sul. Mesmo que eventualmente tenhamos um governo que não se importa muito com isso e enfatiza constantemente sua admiração por figuras como, por exemplo, a criminosa de guerra Margaret Thatcher. Então, me parece importante que também saiamos daqui com algo parecido com um pouquinho de sentimento patriótico, pelo qual vamos nos encontrar amanhã e como vai ocorrer todos os anos, enquanto houver um único argentino de pé no planeta Terra. Muitíssimo obrigado por este espaço e por nos acompanhar.



quinta-feira, 3 de abril de 2025

Marine Le Trump by Adam Parsons


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Na edição do programa The World de 1.º de abril na Sky News, ao comentar a pena de inelegibilidade por cinco anos da francesa Marine Le Pen, líder do partido RN (extrema-direita), Adam Parsons cometeu o ato falho de a chamar “Marine Le Trump” logo após dizer que ela poderia copiar as estratégias do inquilino da Bely Dom pra reverter suas condenações. Tá, confesso, só isso que tinha de engraçado... Mas a comparação não podia ser melhor, e terminar melhor ainda com esse lapso, rs. (Em todo caso, melhor do que quando Biden chamou Zelensky de Putin!)



E não é que eu tava certo? Rs


O Microsoft Clipchamp está com muitos recursos legais e foi com ele que tirei o essencial da transcrição desse trecho! Claro, dei uma pequena corrigida, assim como fiz com a tradução dada pelo Google. Quis deixar pelo menos um pouco de contexto pra que não pareça algo meio artificial ou até forjado, mas note como a apresentadora Yalda Hakim até sorri na hora, rs:


Now, there is one path which her supporters, I think, are still holding on to, is that she could, or she will appeal. That appeal could be heard in, let’s say, a year’s time. She might find the evidence to support it. She may be cleared. She may have that ineligibility ban reduced. She may be allowed to run in 2027. And the momentum behind her: this idea that she took on the establishment and won, this very Donald Trump line of “They couldn’t stop me, they tried, but fight, fight, fight.” I’m sure that is what she would channel. That is an optimistic opinion if you are a Marine Le Trump... Marine Le Pen supporter.

Agora, há um caminho ao qual seus apoiadores, eu acho, ainda estão apegados, o de que ela poderia ou vai recorrer. Esse recurso pode ser julgado em, digamos, um ano. Ela pode encontrar as evidências para apoiá-lo. Ela pode ser inocentada. Ela pode ter esse período de inelegibilidade reduzido. Ela pode ser autorizada a concorrer em 2027. E o ímpeto por trás dela: essa ideia de que ela enfrentou o establishment e venceu, essa mesma linha de Donald Trump de “Eles não conseguiram me impedir, eles tentaram, mas fight, fight, fight.” Tenho certeza de que é isso que ela canalizaria. Essa é uma opinião otimista se você é um apoiador de Marine Le Trump... Marine Le Pen.



O Tio Patinhas chamou o genérico ianque do cantor Falcão pra assinar decreto???

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Cuscuz Clã no Fantástico + Endrigo


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Eu estava procurando imagens de Sergio Endrigo no Google, e de repente me deparei ao acaso com este clipe gravado por ele e Fafá de Belém, cantando juntos o Samba em Prelúdio pro Fantástico, quando esse tipo de quadro era bem mais frequente e, diga-se, muito mais bem elaborado. Não consegui determinar a data, mas pode ser entre o fim da década de 1970 e o início da de 1980, quando Endrigo estava fazendo muitos trabalhos culturais no Brasil. O gigante de Pula até que não pronunciava mal o português (embora certamente não o falasse), e sendo esta uma raridade, resolvi “hackear” e republicar aqui!

Infelizmente, não havia mais nenhuma informação a respeito no Globoplay, e também não fui atrás. O mais engraçado é que o vídeo apareceu numa playlist aleatória de reportagens, talvez da mesma época, sem qualquer identificação, a não ser pela marca d’água com o nome do programa. E na mesma lista estava também uma reportagem de 15 minutos gravada nos EUA pela equipe da Globo sobre grupos que ainda reivindicavam a herança da Cuscuz Clã Ku Klux Klan, a famosa “KKK”, grupo racista e supremacista de branquelos que não toleravam partilhar ônibus e bebedouros com seus compatriotas de pele escura.

Mais uma raridade que outros também já republicaram inteira ou em parte no YouTube, mas que eu só soube ser de 1979. Conheço esse jornalista cabeludo de outras reportagens do arquivo do Fantástico, mas não consegui o identificar, e mesmo no portal não havia mais informações, a não ser uma descrição bem vaga. Portanto, quem quiser colaborar com possíveis dados, por favor comente ou entre em contato! Realmente eram tempos heroicos, e além da Cuscuz estar explicitamente recrutando crianças e adolescentes, suas caras são mostradas sem censura na TV. Bons tempos, em que o programa era muito mais cultural e instrutivo (até começo da década de 2010), e não essa sucessão de reportagens nojentas e indignantes que tornam a “revista eletrônica semanal” muito mais parecida com uma edição dominical do Jornal Nacional!





terça-feira, 1 de abril de 2025

Max Barskih – “Буде весна” (Que haja primavera)


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No domingo passado, 30 de abril, no programa Domingão com Huck da TV Globo, o apresentador que não preciso nomear promoveu o emocionante reencontro da moça ucraniana Ksenia, hoje com 22 anos, com sua mãe e seu irmão, que ela não via há quase três anos, tendo fugido da Ucrânia após a invasão ruSSa em larga escala. Seu pai e seu padrasto, naturalmente, estão no front combatendo os porcos ladrões e estupradores, mas ainda assim ela não acreditou que tinha conseguido realizar esse sonho, depois de refazer sua vida no Brasil. Minha imaginação indócil ficou supondo o que essa escória chamada “ex-querda acadêmica” não ficou falando nas redes sociais ou em conversas privadas, em se tratando de uma emissora grande e de um Luciano que não é lá muito conhecido pela simpatia pela Jararaca ou pelo petê. Mas preferi focar no fato que se tratava de mais uma história entre muitas, que os negacionistas não conseguem refutar e que poderia acontecer em qualquer lugar: Palestina, Sudão, Iêmen, Síria, Mianmar ou até na Colômbia e no México sangrados pelo narcotráfico.

Aquela criatura chamada Celso Amorim, cuja evocação “me desperta os instintos mais primitivos” (como diria Roberto Jefferson) e que deve continuar soprando asneiras “BRICSianas çugrobalistas” no ouvido do Molusco – que repetiu os mesmos lugares-comuns e falsas simetrias da “neutralidade pró-Rússia” ao discursar no Vietnã, um dos maiores violadores de direitos humanos do mundo –, teve a oportunidade de visitar Bucha, onde os invasores cometeram um dos piores massacres de civis na guerra. O fato de dizer que “só viu fotos”, e de nosso nanismo diplomático continuar obcecado com “Pelé Stein, Pelé Stein!” como se nada mais ocorresse nessa droga de planeta, a partir de agora me obriga a conter toda raiva e obscenidade que tenho vontade de proferir em público quando vejo seu rosto murcho na TV. Porém, “respirando fundo e contando até dez”, lembro que justamente ontem se completaram os três anos da libertação daquela cidade-mártir, cujas fotos mais explícitas e não censuradas eu gostaria que decorassem o dormitório do ilustríssimo embaixador durante o resto desta e de todas as suas vidas, em qualquer reencarnação, em qualquer plano...

Esse aniversário, e o fato de que Zelensky e o povo ucraniano “Ainda Estão Aqui”, apesar do ditador bárbaro se achar no direito de sugerir um absurdo “novo governo provisório” tutelado pela ONU (!!!), tornam ainda mais simbólica a tradução desta canção de resistência. Meio que “com o bonde andando”, comecei um curso de ucraniano à distância oferecido pela UNICENTRO do Paraná, na turma da professora Edina Smaha, que nos ofereceu sua própria tradução de “Буде весна” (Búde vesná), Que haja primavera, e pôs o vídeo pra tocar na aula. A composição é do próprio cantor, Max Barskih, de cujo nome mantenho a transliteração que ele mesmo se fez, lançada no YouTube em 5 de março de 2022, ou seja, alguns dias após se iniciar a invasão em larga escala. O áudio também pode ser ouvido em sua conta no Spotify.

Segui a transcrição do original ucraniano dada por Barskih em seu canal, e a partir dela também adaptei a pontuação e a divisão em parágrafos. Mudei ainda uma palavra que estava diferente na transcrição da Edina e fiz algumas mudanças no estilo em português, sobretudo na segunda metade da letra, embora o mérito pela tradução seja todo dela e eu não tenha sido explicitamente autorizado a republicar este conteúdo. Em todo caso, lá vai ele, muito bem ilustrado pelo retorno no tempo que Luciano Huck fez pra encontrar sua futura esposa Angélica nos anos 80, ainda na flor da idade, rs:


A cidade está em chamas,
O coração dói,
A luta é cansativa
E o inimigo não dorme

Balas voam enquanto a neve cai
E o inimigo está deitado, silencioso

Noites sem dormir, não sentimos frio
A família espera nos arredores,
Juntos todos nós venceremos,
Esta é nossa terra natal

Que haja primavera,
Enquanto persistimos até o fim,
E a guerra não vai nos destruir,
Nossa fé une os corações,
A Ucrânia vai viver pra sempre

A Ucrânia é nossa terra

A Ucrânia une os corações

____________________


Місто в огні,
Серце болить,
Втомлює бій
І ворог не спить

Кулі летять поки падає сніг
І ворог лежить, мовчить

Ночі без сну, нам не холодно
Чекає сім’я на околицях,
Разом ми всі переможемо,
Це наша рідна земля

Хай буде весна,
Поки ми стоїмо до кінця,
І нас не зламає війна,
Наша віра єднає серця,
Україна навіки жива.

Україна це наша земля

Україна єднає серця



A multiascendente Angélica, quando viu o Gonzo viajante do tempo, parece ter ficado com cara de pensar duas vezes antes de aceitar tão importante compromisso, rs.



E pra piorar, ela trouxe junto um filho-clone perdido da Giovanna Ewbank!

segunda-feira, 31 de março de 2025

O saco do Trump e o saco do Lula


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Este é Edmir Chedid, atual prefeito de Bragança Paulista e herdeiro mais velho (?) da dinastia “Abi Chedid”, que manda no Linguicistão desde que Hafiz Abi Chedid, seu avô e pai do ex-prefeito Jesus Chedid, também tinha sido prefeito da cidade. Quem conhece o mundo dos cartolas do futebol, também vai se lembrar do nome de Nabi Abi Chedid, irmão de Jesus Chedid.

Recentemente, abriu-se uma guerra política, porque pra pôr mais dinheiro em caixa, Edmir tentou executar uma correção na cobrança do IPTU (pra quem não é do Brasil, trata-se do imposto – entre infinitos... – sobre casas e terrenos) que isentaria mais da metade dos pagantes, os mais pobres, e aumentaria consideravelmente o dos mais ricos, muitos deles moradores de condomínios fechados. Curiosamente, sob a gestão anterior (de Amauri Sodré, vice de Jesus, que morreu em 2022...), os vereadores, muitos dos quais reeleitos no ano passado, aprovaram a medida, mas agora resolveram bloquear, alegando que “não tinham entendido alguns pontos”. Vê se pode...

Populismo que isso chama, né? Sem julgar aqui a validade da medida (contra a qual já foi impetrada uma caralhada de processos, a maioria indeferida pela Justiça), um vizinho meu colocou (se também não inventou) no grupo esta figurinha que dispensa explicações. Aqui em casa, o apelidamos justamente de “Prefeitura”, porque sempre que a infraestrutura aqui vem à baila nas conversas da turma da sinuca, ele vive falando que é de competência da prefeitura, embora seja um loteamento privado. Pois é, e eis que o “Prefeitura” fica postando figurinha com a cara do prefeito, só pra fazer piada em qualquer ocasião, rs.

Mudando de assunto, vamos pra algumas coisas que andei achando por aí semana passada e algumas reflexões que fiz sobre a atualidade:















Inusitada notícia velha (se é que assim podemos chamar, pelo tamanho) que achei por acaso no Völkischer Beobachter curitibano, bem antes dele se tornar isso aí. Nota: a invasão ruSSa à Geórgia “só” ocorreria em 2008, rs.


Caramba, o youtuber faz uma baita pesquisa pra comentar os protestos recentes no Peru na Turquia e consegue trocar a sigla do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, não posso acreditar!!!

E bora comemorar o fim de mais um mês desse 2025, rs:


domingo, 30 de março de 2025

Me sigam também no YouTube


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Minha relação com as modernas redes sociais online sempre foi de amor e ódio. Pouco depois de seu lançamento, fui convidado pro Orkut por um conhecido (sim, era assim no princípio!) em meados de 2004 e mantive a mesma conta até inícios de 2007. Excetuando MSN, ICQ, Bate-Papo do UOL e toda essa experiência de “tiozão gen-Y” (rs), aquela foi minha primeira conta no que seria o germe de todo o lixo tipo Facebook, Instagram, Twitter/Équis etc... Depois, como de praxe (e quando convites internos já não eram mais necessários), fiz, desfiz e refiz vários perfis no “turco”, e naturalmente também me atolei no brinquedinho do Zuque até o pescoço. Curiosamente, nunca fui um usuário assíduo do pássaro azul, enquanto no Insta eu só entraria bem tarde, por volta de 2018-19.

O velho Pan-Eslavo Brasil no YouTube (que, no fim dos fins, também virou uma rede social, se excetuarmos a curta e trágica experiência do Google+, lembra?) todo mundo aqui conhece, mas o que poucos conhecem foi a interatividade desta página e do finado canal com as redes sociais tradicionais. Até 2015, quando eu usava mais ativamente o Facebook e o Google+, eu fazia propaganda do canal, sobretudo, e mais raramente do que então eu chamava de blog (e que era um apêndice secundário do primeiro), diretamente em comunidades ou grupos dos assuntos que me interessavam e em páginas que permitiam postagens de visitantes. Era tosco mesmo: uma vez por mês, pelo menos, se cada espaço permitia, eu postava uma mensagem explicando do que se tratava e chamando pra visitar e se inscrever, acompanhada do link. Foi assim que formei o que posso chamar de “massa crítica” de meu público, além de vários “amigos virtuais”!

Durante um breve período na segunda metade de 2014, mantive uma página (no formato tradicional) no Facebook dedicada ao Pan-Eslavo Brasil, e mesmo sem a impulsionar com pagamento, consegui a proeza de ter mais inscritos que o próprio canal na época: se ainda no início de 2015 os “eslovers” giravam em torno dos 1 350, a página já tinha passado dos mais de 2 mil seguidores! Não sei muito bem por que razão, resolvi apagar a página: foi meio burrice, porque só ia deletar meu perfil no Facebook (o primeiro, que tinha desde 2009) em julho de 2015, e se a tivesse deixado, o número de seguidores ia ter disparado, já que o “Leviatã Azul” tava então no auge da moda. Porém, a lua-de-mel acabou por aí: a partir de agosto de 2015, joguei mais peso no incremento do canal, o que deu certo, pois por volta de junho de 2016 eu tinha uns 2,6 mil inscritos; em junho de 2018, com a “onda da Copa”, atingi a marca simbólica dos 10 mil; e em agosto de 2021, quando o Pan-Eslavo Brasil foi “suicidado”, já tinha mais de 42 mil. Esses números devem ser imprecisos, pois estou lembrando de cabeça, mas segue o último print que tirei do canal com meu celular:



Em outros momentos, entre 2016 e (talvez) 2020, cheguei a ter perfis fake no Facebook e a refazer as páginas pro Pan-Eslavo Brasil, mas sem obter o mesmo alcance e sempre perdendo rápido a paciência e apagando tudo. A mesma coisa no Instagram e no WhatsApp (grupo e canal), nos quais já pensei até em fazer grandes backups dos vídeos antigos. Mas eu nunca tinha ânimo pra ficar alimentando os feeds e tirando o tempo que podia usar pra outras coisas: incremento da própria página (quando o canal já tinha sumido), redação das teses de mestrado e doutorado, busca de um emprego, estudos de idiomas etc. Uma exceção foi o famoso grupo do Pan-Eslavo Brasil no WhatsApp, que mantive de outubro de 2018 até fins de 2020, que era muito mais um “clube de fãs” onde fiz amigos mantidos até hoje do que propriamente um precursor dos atuais canais. Dado o nível de toxina a que chegaram a convivência e os debates políticos, eu mesmo desisti dele...

Pra piorar, quando perdi o canal, achei inútil manter aquela conta do Google e decidi transferir meus dois blogs (este e o Materialismo.net) pra conta atual, que já tinha desde 2016 e cujo Gmail virou o meu padrão atual. Resultou que perdi a contagem de visualizações e, pior, meus inscritos, que já eram mais de 70! (Outros tempos, né...) A transferência deu um baita trabalho, mas já tava toda concluída em junho de 2022, e sequer tava pensando em restaurar qualquer mídia pra divulgação.

Dado que muito do material já é “crácico”, com procura contínua, e que em março de 2024 meu nome foi um pouco impulsionado devido à publicação da tradução (feita na segunda metade de 2018!) dos Robôs Universais de Rossum, mantive um crescimento orgânico e cada vez maior, incrementado pela decisão de programar conteúdo pra todos os dias. Mais um êxito: quando apaguei a antiga conta do Google, a página já tinha totalizado mais de 900 mil visualizações únicas (lembre-se que meu foco era o YouTube), e em menos de três anos da nova “casa”, já recuperei mais de 786 mil! (Quantas são de bots, caso existam, não faço ideia...) Por milagre, também apareceram aqui alguns seguidores novos, cerca de 18: embora estivessem listados 20 quando apareceu esta publicação, um deles parece ter desativado o perfil e outra é minha mãe, que eu mesmo coloquei, rs. Recentemente, também decidi abrir os comentários, algo a que eu tinha me recusado desde o início, e fiquei feliz em receber uns retornos bem legais de visitantes!

Quanto mais antigo um perfil em rede social, mais facilmente ele pode ser impulsionado, sem muito esforço. Quanto mais avançamos no tempo, mais difícil é “bombar” a partir do zero e sem precisar de dinheiro ou da estratégia de marketing correta... Meu erro, sem dúvida, foi ficar apagando perfis, canais (WhatsApp e Telegram) e páginas e ter interrompido seu crescimento orgânico. Hoje, porém, não me arrependo, pois as mídias atuais exigem algum tempo pra ser mantidas, atraem muita comunicação negativa e desviam o tempo que pode ser usado pra simplesmente ir produzindo cada vez mais material, cujo incremento pode servir por si só de algoritmo e cuja variedade pode aumentar a quantidade de interessados. (Isso porque sequer faço ideia de como meu trabalho repercute dentro dessas mídias, por meio de ações individuais!)

Depois de muita tentativa e erro, neste momento de minha vida me preocupo apenas com a manutenção ininterrupta do fluxo e a busca por alguma atividade fixa na diplomacia, na tradução, na docência ou na autopublicação. Porém, decidi manter algumas brechas e usar meios “convencionais” de forma criativa: se, por um lado, decidi apagar meu Linktree pessoal (e todos os similares em outros serviços!) com as principais produções da vida, por outro lado, se você ainda não notou, elas podem ser consultadas na coluna da direita, ao lado, rs. Curiosamente, o Blogger também tem recursos que hoje, com o engodo das redes tradicionais, parecem ter sido esquecidos: você também pode ser comunicar direto comigo por uma caixinha de mensagens ao lado (que moderníssimo!) e, de quebra, deixar seu e-mail pra que você receba atualizações diretamente na caixa de entrada. (Sim, esse recurso de cadastro existe e está escondido no meio do painel de configurações!)

Finalmente, não pude resistir completamente às “tentações da modernidade” (que velho!) e decidi segurar o handle com meu nome e sobrenome no YouTube, antes que eu não o consiga de novo (já tinha apagado alguns projetos de canal) ou que alguém “mo tome”. Ocorre que o YouTube se tornou uma das “redes sociais” mais utilizadas no mundo, pau a pau com o Facebook e o Instagram, e como já domino bem suas manhas, posso o usar ao invés do Insta ou do TikTok, por exemplo, pra fazer vídeos curtos. Além disso, como alguém já tinha notado na época do Pan-Eslavo Brasil, e como o Paulo Kogos pelo menos fazia então, quando tinha sido expulso da “plataforma de microblogs”, nada impede que a aba Comunidade seja usada como se fosse um Twitter, caso você tenha menos seguidores em outras redes! Por fim, embora o nome do canal esteja como “Aprenda idiomas” (mude a língua do site e veja a mágica acontecer...), a possibilidade de eu fazer vídeos monetizados em massa pro aprendizado autodidata ainda é remota, por estar focado em outras atividades. Tá, eu sei, você ia adorar, mas ainda pode levar um tempo...

Os outros contatos que apresentei também ao lado como “os únicos reais” só servem pra comunicação direta, e não pra inscrição e/ou recebimento de atualizações, o que inclui outros perfis listados no YouTube, mas não aqui. Portanto, se você preferir este aos outros meios avançadíssimos que ofereci (além do melhor de todos, que é simplesmente entrar na página todo dia!), por favor se inscreva em meu novo canal, em que as atualizações saem exatamente no momento da publicação principal, e sinta-se à vontade pra comentar e repostar. Afinal, até segunda ordem, por enquanto “Esse é meu Twitter” apenas, e não se preocupe, pois não pretendo o apagar tão cedo, rs:



sábado, 29 de março de 2025

Votos de Vladimir Putin pra 2004


Endereço curto: fishuk.cc/novygod2004


Dando sequência a meu projeto documental, estou publicando na página os discursos com os votos de Feliz Ano Novo dos presidentes da Federação Russa a partir de 2000, no caso, apenas Vladimir Putin e, no curto interregno de 2008 a 2012, Dmitri Medvedev, ambos do partido Rússia Unida. Eu já publiquei os votos de Boris Ieltsin pro ano 2000 transmitidos em 1999, discurso que teve uma tripla importância: foi o último de Ieltsin pro grande público, foi o anúncio de sua renúncia do cargo e foram os primeiros votos de Putin dados logos depois, enquanto primeiro-ministro que assumia interinamente até as próximas eleições. Sem surpresa, ele não saiu mais do cargo...

Fazendo a busca no site do Kremlin, percebemos que o material a partir do ano 2000 é extremamente organizado, muito mais, por exemplo, que no portal do Élysée francês. Sublinho que entre os navegadores Chrome e Edge, neste a navegação é otimizada, e fica ainda melhor se você puder acionar seu VPN pra se localizar na Rússia. Os votos russos costumam ser bem mais curtos e com pouca variação vocabular, sem grandes balanços políticos nem desculpas sinceras, mas nem todos estavam disponíveis em resolução HD. Apenas a partir de 2005 (votos pra 2006) aparece a abertura com a Fanfarra Presidencial e o encerramento com os sinos do Kremlin tocando e a execução do hino nacional (tudo tornando o vídeo em si bem mais longo).

Eu traduzi o texto a partir do original disponível e baixei o vídeo da publicação oficial contendo os votos presidenciais pro Ano Novo de 2004, transmitidos na noite de 31 de dezembro de 2003. Todas as publicações desse tipo contêm o mesmo título “Новогоднее обращение к гражданам России” (Novogódneie obraschénie k grázhdanam Rossíi), Alocução de Ano Novo aos Cidadãos da Rússia:


Estimados cidadãos da Rússia!

Caros amigos!

Estamos chegando ao fim de 2003. Claro, ele foi diversificado.

Houve dificuldades e erros, e permaneceram muitos problemas não resolvidos. Porém, buscamos e encontramos juntos as soluções necessárias. E tudo o que conquistamos não é um simples presente do destino, porque trabalhamos duro o ano todo. Trabalhamos para nós mesmos, bem como para o bem-estar de nossas famílias. E tudo isso contribuiu para nosso sucesso comum. Acrescentou autoridade ao país como um todo e dignidade a todo o povo da Rússia.

Houve conquistas óbvias, tanto no econômico quanto no social. E temos todos os motivos para considerar um sucesso, no geral, o ano que passou.

Nestes minutos, cada um de nós se lembra dos acontecimentos mais importantes – pessoais e familiares. É especialmente gratificante que, no ano que passou, nasceram mais novos cidadãos russos do que no ano anterior.

É um bom sinal. Significa que as pessoas em nosso país estão mais confiantes no futuro. Também desejo que tanto as crianças quanto os pais tragam apenas alegria uns aos outros. Entendam e cuidem uns dos outros. Vivam em paz, amor e harmonia.

Caros amigos!

O Ano Novo é uma festa que foi e sempre será um símbolo de bondade e esperanças. E temos todos os motivos para acreditar no melhor. E esperamos fazer tudo o que ainda não conseguimos ou por enquanto não pudemos.

Faltam apenas alguns segundos para começar Ano Novo de 2004 começará. Desejo que aconteça tudo o que vocês planejaram. E que se concretize o que vocês buscaram.

Que seus lares se encham de conforto. Que a paz de espírito, o calor e a prosperidade acompanhem vocês não apenas na noite de Ano Novo, mas também por toda a vida.

Felicidades, caros compatriotas!

Feliz Ano Novo para vocês!


sexta-feira, 28 de março de 2025

Votos de Vladimir Putin pra 2003


Endereço curto: fishuk.cc/novygod2003


Dando sequência a meu projeto documental, estou publicando na página os discursos com os votos de Feliz Ano Novo dos presidentes da Federação Russa a partir de 2000, no caso, apenas Vladimir Putin e, no curto interregno de 2008 a 2012, Dmitri Medvedev, ambos do partido Rússia Unida. Eu já publiquei os votos de Boris Ieltsin pro ano 2000 transmitidos em 1999, discurso que teve uma tripla importância: foi o último de Ieltsin pro grande público, foi o anúncio de sua renúncia do cargo e foram os primeiros votos de Putin dados logos depois, enquanto primeiro-ministro que assumia interinamente até as próximas eleições. Sem surpresa, ele não saiu mais do cargo...

Fazendo a busca no site do Kremlin, percebemos que o material a partir do ano 2000 é extremamente organizado, muito mais, por exemplo, que no portal do Élysée francês. Sublinho que entre os navegadores Chrome e Edge, neste a navegação é otimizada, e fica ainda melhor se você puder acionar seu VPN pra se localizar na Rússia. Os votos russos costumam ser bem mais curtos e com pouca variação vocabular, sem grandes balanços políticos nem desculpas sinceras, mas nem todos estavam disponíveis em resolução HD. Apenas a partir de 2005 (votos pra 2006) aparece a abertura com a Fanfarra Presidencial e o encerramento com os sinos do Kremlin tocando e a execução do hino nacional (tudo tornando o vídeo em si bem mais longo).

Eu traduzi o texto a partir do original disponível e baixei o vídeo da publicação oficial contendo os votos presidenciais pro Ano Novo de 2003, transmitidos na noite de 31 de dezembro de 2002. Todas as publicações desse tipo contêm o mesmo título “Новогоднее обращение к гражданам России” (Novogódneie obraschénie k grázhdanam Rossíi), Alocução de Ano Novo aos Cidadãos da Rússia:


Caros amigos!

Mais um ano se passou. E nestes minutos todos nos lembramos do que consideramos ser o mais importante para nós. De uma forma ou de outra, estamos realizando um balanço simbólico do que vivemos. O país inteiro também está realizando um balanço do ano.

Nesta noite de Ano Novo, agradeço vocês por tudo. Por tudo o que conquistamos no ano que passou. Afinal, o que nos espera no futuro depende do que já foi feito. Este ano foi diferente para cada um de nós. Mas agora, sem esquecer o passado, pensamos, é claro, no futuro. E por isso, antes de tudo, quero desejar a vocês a realização de seus desejos. Para que se realize e aconteça tudo o que vocês planejaram, desejaram e conceberam. Que se tornem realidade todos os seus bons empreendimentos, planos e intenções.

Que no Ano Novo todos tenham sucesso em seus negócios. Pois é a partir deles que se formam nossa vida em comum, o destino do país, o destino da Rússia.

Que nossos pais e filhos tenham saúde. Que haja paz e prosperidade em todos os lares.

Desejo a todos vocês um Feliz Ano Novo. A quem está celebrando com a família e amigos. E a quem está longe de casa na noite de Ano Novo.

Estamos às portas do terceiro ano do terceiro milênio. E a Rússia, um país de história milenar, está encarando dignamente seu futuro.

Temos uma velha e boa tradição de dar presentes uns aos outros no Ano Novo. Vamos dar hoje a nossos entes queridos o que há de mais valioso e precioso: calor, atenção e amor.

Feliz Ano Novo, caros amigos!

Muita felicidade!


quinta-feira, 27 de março de 2025

Votos de Vladimir Putin pra 2002


Endereço curto: fishuk.cc/novygod2002


Dando sequência a meu projeto documental, estou publicando na página os discursos com os votos de Feliz Ano Novo dos presidentes da Federação Russa a partir de 2000, no caso, apenas Vladimir Putin e, no curto interregno de 2008 a 2012, Dmitri Medvedev, ambos do partido Rússia Unida. Eu já publiquei os votos de Boris Ieltsin pro ano 2000 transmitidos em 1999, discurso que teve uma tripla importância: foi o último de Ieltsin pro grande público, foi o anúncio de sua renúncia do cargo e foram os primeiros votos de Putin dados logos depois, enquanto primeiro-ministro que assumia interinamente até as próximas eleições. Sem surpresa, ele não saiu mais do cargo...

Fazendo a busca no site do Kremlin, percebemos que o material a partir do ano 2000 é extremamente organizado, muito mais, por exemplo, que no portal do Élysée francês. Sublinho que entre os navegadores Chrome e Edge, neste a navegação é otimizada, e fica ainda melhor se você puder acionar seu VPN pra se localizar na Rússia. Os votos russos costumam ser bem mais curtos e com pouca variação vocabular, sem grandes balanços políticos nem desculpas sinceras, mas nem todos estavam disponíveis em resolução HD. Apenas a partir de 2005 (votos pra 2006) aparece a abertura com a Fanfarra Presidencial e o encerramento com os sinos do Kremlin tocando e a execução do hino nacional (tudo tornando o vídeo em si bem mais longo).

Eu traduzi o texto a partir do original disponível e baixei o vídeo da publicação oficial contendo os votos presidenciais pro Ano Novo de 2002, transmitidos na noite de 31 de dezembro de 2001. Todas as publicações desse tipo contêm o mesmo título “Новогоднее обращение к гражданам России” (Novogódneie obraschénie k grázhdanam Rossíi), Alocução de Ano Novo aos Cidadãos da Rússia:


Estimados cidadãos da Rússia! Caros amigos!

Em apenas alguns minutos, mais um ano de nossas vidas se tornará o ano passado. Ele está entrando rapidamente na história, e nós relembramos os eventos mais importantes.

Houve muitos deles. Muito diversos – bons e dramáticos. Para a Rússia como um todo, este ano foi um sucesso – tanto em assuntos internos quanto em política externa. E cada dia nos afastava cada vez mais dos tempos difíceis de convulsão econômica e social.

Fizemos muito juntos para isso. Trabalhamos juntos para tornar nossa vida mais previsível. Alcançamos resultados pequenos, mas visíveis.

O ano de 2001 foi notavelmente diferente do anterior. Conseguimos não só manter a tendência de crescimento econômico e, ainda que ligeiramente, melhorar a vida de nossa gente. Foi possível mostrar que os bons resultados do ano anterior não foram acidentais nem são meros episódios em nossa vida.

No ano que passou, foram feitas importantes preparações para o futuro. Foi criada uma base legal para novos e sérios passos na política econômica e social. Foram tomadas decisões que devem influenciar no longo prazo o clima de negócios no país, por muitos anos.

O mundo começou a tratar a Rússia com mais confiança e respeito. Começou a nos entender melhor. Ficou evidente que um combate consequente ao terrorismo é ditado não apenas por nossos interesses nacionais, mas também por seu perigo global. E a comunidade mundial respondeu ao mais recente desafio dos terroristas com uma cooperação internacional incomumente intensiva. Os Estados se uniram e, junto com a Rússia, se levantaram para defender a paz, a tranquilidade e a própria vida.

Caros amigos!

Nem tudo o que planejamos já foi feito. Ainda há mais questões não resolvidas do que conquistas. No ano que passou, nem todos os cidadãos de nosso país começaram a viver melhor. E nem todos, por enquanto, conseguem isso sozinhos, sem o apoio da sociedade e do Estado.

Devemos nos lembrar disso – tanto quando fazemos balanços quanto quando fazemos planos para o futuro. Agora que falta muito pouco tempo para o Ano Novo, desejo a todos os cidadãos da Rússia, antes de tudo, bem-estar.

Nestes últimos segundos de 2001, desejemos felicidade uns aos outros. Digamos palavras gentis a nossos entes queridos. Orientemos nossos filhos. E desejemos a todos nós saúde e sorte.

Sucesso, amor e fé para vocês.

Fé em si mesmos e em nossa Pátria.

Feliz Ano Novo, queridos amigos!

Feliz Ano Novo de 2002!


quarta-feira, 26 de março de 2025

Votos de Vladimir Putin pra 2001


Endereço curto: fishuk.cc/novygod2001


Dando sequência a meu projeto documental, estou publicando na página os discursos com os votos de Feliz Ano Novo dos presidentes da Federação Russa a partir de 2000, no caso, apenas Vladimir Putin e, no curto interregno de 2008 a 2012, Dmitri Medvedev, ambos do partido Rússia Unida. Eu já publiquei os votos de Boris Ieltsin pro ano 2000 transmitidos em 1999, discurso que teve uma tripla importância: foi o último de Ieltsin pro grande público, foi o anúncio de sua renúncia do cargo e foram os primeiros votos de Putin dados logos depois, enquanto primeiro-ministro que assumia interinamente até as próximas eleições. Sem surpresa, ele não saiu mais do cargo...

Fazendo a busca no site do Kremlin, percebemos que o material a partir do ano 2000 é extremamente organizado, muito mais, por exemplo, que no portal do Élysée francês. Sublinho que entre os navegadores Chrome e Edge, neste a navegação é otimizada, e fica ainda melhor se você puder acionar seu VPN pra se localizar na Rússia. Os votos russos costumam ser bem mais curtos e com pouca variação vocabular, sem grandes balanços políticos nem desculpas sinceras, mas nem todos estavam disponíveis em resolução HD. Apenas a partir de 2005 (votos pra 2006) aparece a abertura com a Fanfarra Presidencial e o encerramento com os sinos do Kremlin tocando e a execução do hino nacional (tudo tornando o vídeo em si bem mais longo).

Eu traduzi o texto a partir do original disponível e baixei o vídeo da publicação oficial contendo os votos presidenciais pro Ano Novo de 2001, transmitidos na noite de 31 de dezembro de 2000. Todas as publicações desse tipo contêm o mesmo título “Новогоднее обращение к гражданам России” (Novogódneie obraschénie k grázhdanam Rossíi), Alocução de Ano Novo aos Cidadãos da Rússia:


Caros amigos! Estimados cidadãos da Rússia!

Nestes minutos, não apenas verificamos nossos relógios, verificamos nossos pensamentos e sentimentos, verificamos nossas expectativas com o que temos na realidade.

Mais um ano ficou para trás – um ano de eventos alegres e trágicos, um ano de decisões difíceis. E, no entanto, o que há bem pouco tempo parecia quase impossível está se tornando um fato em nossas vidas. Elementos notáveis ​​de estabilidade surgiram no país, e isso vale muito – para a política, para a economia e para cada um de nós. Entendemos o quanto é importante e o quanto é valorizada a dignidade de um país.

Vocês e eu sabemos que nesta noite festiva nem todos têm uma mesa rica, nem todos os lares têm felicidade e sucesso, devemos lembrar disso. Não podemos esquecer que ainda temos muito trabalho a fazer, mas somente juntos conseguiremos todos realizá-lo. E então certamente chegará o momento em que ficaremos tranquilos com relação a nossos idosos e nossas crianças.

Caros amigos!

Eu sei que vocês já estão todos olhando para seus relógios. De fato, em poucos segundos entraremos ao mesmo tempo em um novo ano, um novo século e um novo milênio. Isso não acontece com frequência e só se repetirá com nossos descendentes, cujas vidas são difíceis até de imaginarmos hoje em dia. É a eles que deixaremos de herança nossos sucessos e nossos erros. Mas nestes instantes, cada um de nós pensa nos entes queridos e nos próximos.

Quero desejar a vocês o que geralmente se deseja aos parentes e amigos: saúde, paz, bem-estar e, claro, sorte. Felicidades e Feliz Ano Novo para vocês!


terça-feira, 25 de março de 2025

Hino da RSS da Moldávia (1945-1980)

Esta é a primeira versão (original) do Hino Nacional da República Socialista Soviética da Moldávia (Imnul de Stat al Republicii Sovietice Socialiste Moldovenești), formada em 1940 com partes da Bessarábia e partes da RSS Autônoma da Moldávia, que integrava a RSS da Ucrânia. A Bessarábia era uma região histórica pertencente à Romênia, anexada então pela URSS na sequência da guerra contra os romenos, que tinham um governo aliado ao Eixo. Atualmente, a maior parte da antiga Bessarábia pertence à Moldova (por vezes ainda chamada pelo nome russo “Moldávia”), e outra parte pertence à Ucrânia. Essencialmente, a “língua moldova” (ou moldava) é o nome local dado ao romeno, e no país hoje também se fala russo e outras línguas. Atualmente, a Moldova é um dos países mais pobres da Europa.

O hino foi composto e adotado em 1945, com letra dos poetas Emilian Bucov e Bogdan Istru, e melodia de Ștefan Neaga. Em 1980, o compositor Eduard Lazarev, pretextando uma “renovação musical”, foi autorizado pelo governo local a mudar todo o hino, deixando o ritmo mais lento, cortando a letra pela metade e mudando substancialmente o texto, que passou a conter apenas uma estrofe melódica dividida em três partes. Conhecida por suas primeiras palavras, Moldova Sovietică (Moldávia Soviética), a nova letra sem menções a Stalin só seria usada até 1991, com a independência do país. (Nota: o brasão acima, usado de 1957 a 1981, só difere do usado de 1981 a 1990 no desenho dos raios do Sol...)

Ambas as versões do hino da RSS da Moldávia não foram exceção em mencionar os russos, o Partido, o futuro glorioso rumo ao comunismo, o florescimento nacional, a “união fraternal dos povos” e a felicidade incontida. Na Moldova, são constantes as tentativas de “descomunização”, mas não obtêm muito sucesso: em 2012, uma lei proibiu o uso dos símbolos comunistas e soviéticos, mas ela foi derrubada em 2013. Após a crise econômica vivida sob o presidente socialista pró-Rússia Igor Dodon (2016-2020), ele perdeu a reeleição pra liberal e pró-União Europeia Maia Sandu, eleita majoritariamente pela diáspora ao redor do mundo e reeleita em 2024. Atualmente ela segue um rumo modernizador, ocidentalizante e anticorrupção, apoiando a Ucrânia após a invasão russa e, por isso, entrando em maior tensão com a região separatista da Transnístria.

Esta versão do hino, usada de 1945 a 1980, menciona Stalin e a guerra explicitamente e tem uma estrutura mais parecida com a dos hinos de outras RSS: uma primeira estrofe louvando os russos, um refrão louvando a URSS, uma segunda estrofe louvando Lenin (e Stalin, até quando o politicamente correto permitiu) e uma terceira estrofe militarista, em velada alusão à vitória contra os nazistas (mudada na década de 1970 pela alusão ao “radiante futuro comunista”). Em 2012, o historiador e político moldovo Valeriu Passat afirmou que os autores teriam sido forçados a compor o hino por Iósif Mordóvets, major-general ucraniano, organizador do aparelho de segurança soviético e chefe do KGB na RSS da Moldávia. De 1953 até a adoção do novo hino, a melodia original era executada sem letra, devido à “desestalinização” comandada por Nikita Khruschov.

Eu traduzi diretamente do texto romeno disponível no verbete da Wikipédia em inglês sobre a canção. Fui procurando as palavras no dicionário, porque as traduções (mais ou menos) literais oferecidas em inglês e russo não batem nem entre si nem com o que entendi da letra. Quase não há gravações de época disponíveis, mas o YouTube disponibilizou uma versão que parece ter sido feita por inteligência artificial. Como a achei interessante enquanto documento histórico, assim como as outras gravações contidas na mesma playlist, decidi fazer a tradução.

Ao criar a Moldávia, Stalin tentou ao máximo separá-la culturalmente da Romênia, inclusive estimulando um “idioma moldávio”, escrito numa adaptação do alfabeto cirílico russo (a qual, particularmente, acho feia). Como os setores pró-Kremlin ainda se apegam a essa escrita, seguem abaixo a letra em cirílico pros curiosos, junto com o áudio, a letra no alfabeto latino e a tradução em português:


1. Молдова ку дойне стрэбуне пе плаюрь,
Ку поамэ ши пыне пе дялурь ши вэй.
Луптынд ку-ажуторул Русией мэреце,
А врут неатырнаря пэмынтулуй ей.

Рефрен:
Славэ ын вякурь, Молдовэ Советикэ,
Креште ку алте републичь сурорь,
Ши ку драпелул Советик ыналцэ-те,
Каля сэ-ць фие авынт крятор.

2. Пе друмул луминий ку Ленин ши Сталин,
Робия боерилор крунць ам ынвинс.
Пе ной дин избындэ-н избындэ ынаинте,
Не дуче слэвитул партид комунист.

(Рефрен)

3. Ын армия ноастрэ, луптынд витежеште,
Пе душманий цэрий ый вом бируй,
Ши-н маря фамилие а Униуний,
Молдова Советикэ-н вечь а-нфлори.

(Рефрен)

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1. Moldova cu doine străbune pe plaiuri,
Cu poamă și pâne pe dealuri și văi.
Luptând cu-ajutorul Rusiei mărețe,
A vrut neatârnarea pământului ei.

Refren:
Slavă în veacuri, Moldovă Sovietică,
Crește cu alte republici surori,
Și cu drapelul Sovietic înalță-te,
Calea să-ți fie avânt creator.

2. Pe drumul luminii cu Lenin și Stalin,
Robia boierilor crunți am învins.
Pe noi din izbândă-n izbândă înainte,
Ne duce slăvitul partid comunist.

(Refren)

3. În armia noastră, luptând vitejește,
Pe dușmanii țării îi vom birui,
Și-n marea familie a Uniunii,
Moldova Sovietică-n veci a-nflori.

(Refren)

____________________


1. Moldávia, com doinas ancestrais pelos planaltos,
Com uva e pão pelos pelas colinas e vales.
Lutando com a ajuda da grande Rússia,
Desejou a independência de sua terra.

Refrão:
Glória pelos séculos, Moldávia Soviética,
Que cresce com outras repúblicas irmãs,
E se eleva com a bandeira soviética,
Que seu caminho seja um ímpeto criador.

2. Pelo caminho iluminado com Lenin e Stalin,
Vencemos a escravidão dos cruéis aristocratas.
De vitória em vitória, sempre em frente,
Nos conduz o glorificado partido comunista.

(Refrão)

3. Em nosso exército, lutando heroicamente,
Derrotaremos os inimigos do país,
E na grande família da União [a URSS],
A Moldova Soviética florescerá eternamente.

(Refrão)



Bandeira da RSS da Moldávia de 1940 a 1952, período da adoção do hino.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Votos de fim de ano dos presidentes da França desde 2008


Endereço curto: fishuk.cc/voeux


Esta publicação reúne a tradução direta do francês pro português de todos os discursos de fim de ano dos presidentes da República Francesa de 2007 a 2024, e ao longo dos anos pode seguir sendo atualizada. Desde que o Pan-Eslavo Brasil, meu canal no YouTube, foi “suicidado” pelo Google em agosto de 2021, tomei como tradição obrigatória publicar aqui, todo começo de ano, pelo menos os discursos comemorativos dos presidentes da França, da Rússia, da Bulgária e da Moldova. Os dois últimos, por mera afinidade cultural, e os dois primeiros, devido a minha familiaridade com suas línguas e meus longos anos de pesquisa sobre a antiga URSS e de contato com a história da Rússia contemporânea.

Sempre fui muito perfeccionista, portanto, legendar pra mim sempre foi uma atividade meio penosa, mesmo que em se tratando de uma atividade amadora e de uns poucos minutos de audiovisual. Como o Pan-Eslavo Brasil era focado nos países eslavos, os votos de Feliz Ano Novo de Vladimir Putin saíam com maior regularidade, a partir de 2018, 2019, mais ou menos, e, sobretudo, quando chegou em casa a internet por fibra óptica. Além disso, a cada novo ano, seus discursos ficavam mais curtos e mais repetitivos, o que tornava a tarefa ainda mais fácil, sem contar que tenho pleno domínio do vocabulário soviético e burocrático de Putin. Quanto à França, fui deixando de legendar os discursos de Emmanuel Macron, porque ele já começou falando mais do que a média dos anteriores, e a cada ano, ao contrário do Kremlin, aumentava ainda mais, me desanimando num cotidiano cada vez mais premido pelo doutorado.

O YouTube acabou, o doutorado também, mas “Ainda estou aqui” na página, e como ela é hoje meu único meio de comunicação, tento atualizar com uma publicação por dia, por mais besta que seja o conteúdo. Lembra? Começou com uma por semana, depois uma a cada dois dias, depois tive intervalos de longas pausas, e finalmente tô “firmão” aqui, rs. Outra vantagem é que, ao contrário dos discursos anteriores, traduzidos palavra por palavra e com ocasionais consultas ao dicionário, agora tomei a coragem de usar o Google Tradutor, mas de forma sábia: a “máquina” me dá o texto central, mas o reviso todo, confrontando com o original. É o mínimo que se espera de alguém que, mesmo sem formação oficial, se arroga o título de tradutor!

Portanto, esta iniciativa vem preencher uma lacuna, pois em anos anteriores, tanto na página quanto no antigo canal, apareceram discursos isolados com votos de fim de ano de Putin, François Hollande e Emmanuel Macron (sem contar Aliaksandr Lukashenka, dono de Belarus que – pra minha alegria! – só fala russo), também listados abaixo, quando já antigos. A iniciativa também se alinha a minha atividade preferida de tradução, que foi a razão de eu ter fundado tanto meu finado canal quanto está página: disponibilizar ao público leigo ou especializado documentos que podem servir pra pesquisa e compreensão históricas, contornando as barreiras linguísticas e dando a oportunidade pra que todo mundo tire criticamente suas próprias conclusões por meio do acesso direto às fontes. Em cada publicação, estão listadas as fontes dos vídeos e, quando fosse o caso, dos textos já transcritos.

Por enquanto, estou começando com Nicolas Sarkozy e passando por François Hollande e Emmanuel Macron, mas no futuro, se eu achar os vídeos, talvez eu também traduza as alocuções de 1974-1975 a 2006-2007 feitas por Valéry Giscard d’Estaing, François Mitterrand e Jacques Chirac, embora eu não vá legendar o audiovisual. Procurei manter um estilo mais formal e padronizado, sem as constantes abreviações e oralidades que emprego aqui, e com recursos gramaticais que também costumo evitar (futuro do presente simples, pronome enclítico). Cada ano se refere ao que vai começar no dia seguinte, ou seja, pro qual o presidente está fazendo votos ainda na noite de Réveillon (votos pra 2010 feitos em 31/12/2009, votos pra 2025 feitos em 31/12/2024 etc.).

Lembrando, claro, que devido à agilização produtiva, decidi manter sem legendas os vídeos posteriores ao Pan-Eslavo Brasil e publicar apenas os textos. Portanto, se você tem vontade de se voluntariar pra colocar legendas, sinta-se livre pra me contatar! Se você tiver essa coragem, também permito que coloque em seu próprio YouTube ou outra rede social as legendas com meu texto, mas por favor, em prol da educação, pelo menos cite o autor (i.e. eu) e o link da tradução original.


Nicolas Sarkozy (2007-2012)


François Hollande (2012-2017)


Emmanuel Macron (2017-2022 e 2022-2027)