No domingo passado, 30 de abril, no programa Domingão com Huck da TV Globo, o apresentador que não preciso nomear promoveu o emocionante reencontro da moça ucraniana Ksenia, hoje com 22 anos, com sua mãe e seu irmão, que ela não via há quase três anos, tendo fugido da Ucrânia após a invasão ruSSa em larga escala. Seu pai e seu padrasto, naturalmente, estão no front combatendo os porcos ladrões e estupradores, mas ainda assim ela não acreditou que tinha conseguido realizar esse sonho, depois de refazer sua vida no Brasil. Minha imaginação indócil ficou supondo o que essa escória chamada “ex-querda acadêmica” não ficou falando nas redes sociais ou em conversas privadas, em se tratando de uma emissora grande e de um Luciano que não é lá muito conhecido pela simpatia pela Jararaca ou pelo petê. Mas preferi focar no fato que se tratava de mais uma história entre muitas, que os negacionistas não conseguem refutar e que poderia acontecer em qualquer lugar: Palestina, Sudão, Iêmen, Síria, Mianmar ou até na Colômbia e no México sangrados pelo narcotráfico.
Aquela criatura chamada Celso Amorim, cuja evocação “me desperta os instintos mais primitivos” (como diria Roberto Jefferson) e que deve continuar soprando asneiras “BRICSianas çugrobalistas” no ouvido do Molusco – que repetiu os mesmos lugares-comuns e falsas simetrias da “neutralidade pró-Rússia” ao discursar no Vietnã, um dos maiores violadores de direitos humanos do mundo –, teve a oportunidade de visitar Bucha, onde os invasores cometeram um dos piores massacres de civis na guerra. O fato de dizer que “só viu fotos”, e de nosso nanismo diplomático continuar obcecado com “Pelé Stein, Pelé Stein!” como se nada mais ocorresse nessa droga de planeta, a partir de agora me obriga a conter toda raiva e obscenidade que tenho vontade de proferir em público quando vejo seu rosto murcho na TV. Porém, “respirando fundo e contando até dez”, lembro que justamente ontem se completaram os três anos da libertação daquela cidade-mártir, cujas fotos mais explícitas e não censuradas eu gostaria que decorassem o dormitório do ilustríssimo embaixador durante o resto desta e de todas as suas vidas, em qualquer reencarnação, em qualquer plano...
Esse aniversário, e o fato de que Zelensky e o povo ucraniano “Ainda Estão Aqui”, apesar do ditador bárbaro se achar no direito de sugerir um absurdo “novo governo provisório” tutelado pela ONU (!!!), tornam ainda mais simbólica a tradução desta canção de resistência. Meio que “com o bonde andando”, comecei um curso de ucraniano à distância oferecido pela UNICENTRO do Paraná, na turma da professora Edina Smaha, que nos ofereceu sua própria tradução de “Буде весна” (Búde vesná), Que haja primavera, e pôs o vídeo pra tocar na aula. A composição é do próprio cantor, Max Barskih, de cujo nome mantenho a transliteração que ele mesmo se fez, lançada no YouTube em 5 de março de 2022, ou seja, alguns dias após se iniciar a invasão em larga escala. O áudio também pode ser ouvido em sua conta no Spotify.
Segui a transcrição do original ucraniano dada por Barskih em seu canal, e a partir dela também adaptei a pontuação e a divisão em parágrafos. Mudei ainda uma palavra que estava diferente na transcrição da Edina e fiz algumas mudanças no estilo em português, sobretudo na segunda metade da letra, embora o mérito pela tradução seja todo dela e eu não tenha sido explicitamente autorizado a republicar este conteúdo. Em todo caso, lá vai ele, muito bem ilustrado pelo retorno no tempo que Luciano Huck fez pra encontrar sua futura esposa Angélica nos anos 80, ainda na flor da idade, rs:
A cidade está em chamas,
Balas voam enquanto a neve cai
Noites sem dormir, não sentimos frio
Que haja primavera,
A Ucrânia é nossa terra A Ucrânia une os corações ____________________
Кулі летять поки падає сніг
Ночі без сну, нам не холодно
Хай буде весна,
Україна це наша земля Україна єднає серця |

A multiascendente Angélica, quando viu o Gonzo viajante do tempo, parece ter ficado com cara de pensar duas vezes antes de aceitar tão importante compromisso, rs.

E pra piorar, ela trouxe junto um filho-clone perdido da Giovanna Ewbank!
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