segunda-feira, 9 de março de 2026

Zelensky, Irã, Shaheds e cartas

Já virou chavão aquela frase repetida em comentários por muitos usuários de redes sociais: “A Terra plana não gira, capota”. Mas que isso fosse acontecer com o retorno do Véi Gagá à Bely Dom, ninguém jamais imaginaria, eu inclusive. Claro que minha aposta, aliás correta, é que ele ia defecar e tiranizar muito mais no Zesteite, mas que seu isolacionismo de fachada fosse virar um intervencionismo à la Bush 2.0 com esteroides, foi algo muito mais advindo de sua psicologia instável e imprevisível.

É claro que a tática netanyahista de resolver as coisas jogando bomba de longe na cabeça dos outros não dá nada certo: Bibi do Hamas fez isso pra destruir seus ex-parças do time que inspirou seu apelido, dizimou mais de 70 mil palestinos (pelo menos uns 15 mil autênticos terroreiros, sejamos francos), transformou a Caixa de Gases num entulhão a perder de vista e quase falhou quando chegou na fase do boots on the ground, ingrezismo xike na moda pra dizer “mano a mano”. E o Laranjão, enfoderado pela experiência no Ziraque (bem falha, aliás) e de quando ele jogou verde pra colher Maduro (putz, kkkkk), tá fazendo isso num país que não se parece com nenhum dos dois e, pra piorar, como martelam os telepalpiteiros, tem um regime muito mais complicado e com várias camadas a serem derrubadas, se o intuito fosse mesmo entronar o Temer da Shopee.

Deu ruim, muito ruim: enquanto datilografo estas alíneas (meio-dia de domingo), o novo ditador de turbante já foi escolhido, mas o chāy de revelação ainda não aconteceu; porém, uma espécie de troica integrada pelo azerbaijano “presidente” Bananian está com as rédeas da situação. Se sem um barbudão aloprado já tão fazendo o impensável estrago de atingir alvos ocidentais nos atávicos inimigos quibes do Golfo (enquanto estes assistem pianinhos com a rosca comprimida), imagine com um! Pior, se for o filho do finado “Camenei”, ainda por cima considerado “linha dura” (e pinto mole), a “coalizão” já disse que vai o exterminar na hora.

Mas voltando às capotadas da Terra plana, a bizarra metáfora do Cumpade Oxto sobre o presidente ucraniano Zelensky “não ter cartas” contra Putler rodou o mundo e, fora o constrangimento de Kyiv, se transformou num meme geopolítico eterno. Claro que, durante 2025, o ínfimo avanço orc ao custo das maiores perdas anuais desde o início da invasão desmentiu em parte esse filokremlinismo enrustido, sem contar outros importantes reveses pontuais que viriam em 2026. Mas o balde de água fria veio quando o mundo se deu conta que um Shahed iraniano custava “meras” 20 mil doletas, enquanto os sistemas tradicionais derrubavam cada um deles com mísseis custando quatro milhões de doletas a unidade!

Como se sabe, calejados pela experiência, os ucranianos tiveram que “bricolar” (como dizem em parisiense) uma defesa fácil e barata, e em grande medida conseguiram. Agora, todos os jornalões se refastelam com manchetes dizendo que são as monarquias petrolíferas e até mesmo o Til Çan que estão desta vez implorando por “experiência” ucraína pra lidar com as mosquinhas de Teerã! E a zoeira foi inevitável: “Quem é que não tem as cartas agora?” Rs:


“É essa carta que você queria?” (Volodymyr Guina enrabando Jaílson Trump)


Se as coisas continuarem nesse ritmo (incluindo o fracasso total da Moscóvia de aquebrantar o moral do povo ucraniano, destruir sua infraestrutura e irromper em avanços maiores), o ex-pianista peniano não vai ter só cartas, mas um baralho inteiro. Melhor ainda, ele vai comprar a COPAG, a famosa fábrica do baralho:


Montagem repassada por meu amigo Claudio (a quem também agradeço pela imagem inicial): quem é que deve dizer obrigado agora?...


Putler diz que a “operação militar especial” visa “desmilitarizar a Ucrânia” pra evitar o “cercamento” da Moscóvia pela OTAN. Mentira, ele conduz não só uma típica guerra de anexação, mas também de extermínio, porque disse várias vezes que os ucranianos “não existem” enquanto povo à parte. Quem na Banânia ainda acredita no Creminho, é burro, mal-informado, desonesto ou ideologicamente canalha mesmo. Se fosse por isso, olha o tamanho da fronteira do Irã com o “Piru”, que faz parte da OTAN: cadê os aiatolás reclamando da organização “às nossas portas”?...


Bibi do Hamas: “Eu vou destruir a capital de qualquer país de cujo governo eu simplesmente não goste ou que não chupe meu saco e o do Laranjão!”

Bibi do Hamas pouco depois:


domingo, 8 de março de 2026

Hoje é o dia delas!

Tive que reprogramar a publicação que já tinha saído hoje, pois não podia perder a oportunidade de divulgar algumas pérolas relacionadas ao Oito de Março, conhecido como o Dia Internacional das Mulheres, ou apenas “de luta das mulheres trabalhadoras”, segundo a extrema-esquerda. A cena acima diz muito sobre um regime que, embora enfraquecido (já tava assim antes do Laranjão e do Bibi do Hamas encherem Teerã de bomba!), insiste em relegar as mulheres ao segundo plano e as obrigar a se vestirem conforme desejam os velhos brochas e recalcados de turbante no comando.

Claro que na Arábia Saudita (que tem feito algumas aberturas), no Afeganistão e em áreas controladas pelo Daesh ou algum de seus afiliados na África, no Levante e na Ásia Central – que são sunitas, e não xiitas, como os aiatolás – é muito pior. Mas não é por isso que devemos passar pano pra qualquer um dos grupos citados, e é sempre bom cutucar os “revoluciotários” sobre por que fazem tanto estardalhaço nas redes antissociais quando chega o Dia das Muié, mas evitam falar sobre a opressão religiosa em países que, ao menos no discurso, empunham o manual antiamericano – e só por causa disso. O movimento iraniano “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022, por exemplo, passou em silêncio ensurdecedor entre nossas fe-mimimi-nistas de universidade. Mas se “mexeu com ume, mexeu com todes”, por que a garota curda Jîna Emînî não merece entrar na lista?...

Sempre guardei este corte da Ana Lesnovski, apresentadora e uma das fundadoras do canal Meteoro Brasil, pra divulgar entre amigos, mas quase sempre perdia a data correta. Agora eternizo o meme criado após o Oito de Março em 2023, quando o deputado Nikolas Ferreira fez aquele infame discurso na Câmara dos Deputados em que teve um ataque de transfobia e pôs a peruca loira pra dizer que “se sentia a deputada Nikole” – o que por si só também não deixou de ser motivo de escárnio. Como a Ana mostrou e resumiu nessa frase humorística, os outros discursos com homenagens, inclusive de parte da esquerda, pecaram pelo primarismo e pela condescendência, quando não foram “abridamente” misóginos; apenas lamento que o Meteoro Brasil tenha tomado o mesmo rumo da maior parte dos canais “anti-hegemônicos” e passado pano pro Maduro, bem como silenciado perante Putin e Khamenei:



A moda do karaokê ao vivo na TV estatal, com cantos e clipes patrióticos em meio aos ataques aéreos, está literalmente bombando no Irã. Pena que essa caligrafia nasta’liq “de risquinhos” é difícil de entender até pra quem já domina as escritas persa e árabe (aliás, alguém notou que está escrito “Irã” em vermelho?):

Pelo menos, a se crer no portal Jeum, o ritmo podia ser este, saindo apenas da internet e indo pra transmissão aberta; afinal, só assim mesmo pra Banânia ter alguma utilidade no “issssshterior”, rs:


E pra fechar esta edição especial na felicidade, vamos de homicida gravando um discurso de Oito de Março (feriado celebrado desde os tempos soviéticos, digamos, de forma um tanto hipócrita) pra ser publicado no portal do Creminho, mas que acabou “por acidente” sendo lançado sem edição, com um baita acesso de pigarro no ditador. Esse incômodo, aliás, é muito visível quando o seguimos defecando pela boca por um tempo razoável:


sábado, 7 de março de 2026

O melhor e o pior de Olavo de Carvalho

Ele dizia que “matava a cobra e mostrava o pau”. Mas na essência, o virginiano de Campinas (o que dá quase na mesma) não passava de um velho covarde, ressentido, estúpido e pouco instruído (leitura não é sinônimo de educação) que optou por usar sua mediocridade pessoal e profissional pra aplicar diversos tipos de golpe enquanto vivia no Brasil. Precisando fugir pra não arcar com as consequências, continuou enganando e fanatizando as pessoas por meio da internet – no que foi um pioneiro, antes até do boom das redes sociais. Se dizendo um “pensador” de nossa sociedade, idealizou uma realidade inexistente, incompatível com as necessidades e tradições do povo comum e suas múltiplas origens e influências. E pra esse ideal, atraiu uma elite – e uma classe média com sonho de elite – obcecada pelo antipetismo, apavorada com a emergência de novos atores sociais e, em nossa melhor tradução pseudointelectual, carente de um guru que lhes ditasse o que pensar, do que gostar e pelo que ou contra quem lutar.

Olavo de Carvalho não foi um “raio caído em céu azul”, e embora ele tenha se aproveitado do clima de desorientação geral que reinava no Brasil da década de 2010, lembremos que seus coices e charlatanices vêm de longa data, e que mesmo então vários outros picaretas floresceram no meio digital em diversas áreas, em diversos campos do espectro político – mostrando muito mais nosso analfabetismo crítico do que a falta de um “policiamento” ideológico tão caro às ditaduras. Hoje, tendo desaparecido devido a sua própria inépcia em cuidar da saúde, alguns grupelhos radicais e uns poucos políticos “bolsonaristas raiz” insistem em empunhar suas máximas como “pérolas de sabedoria” e “herança filosófica”. Ainda assim, o “casamento” entre Olavo e Jair Messias não foi pessoal nem espontâneo: primeiramente “esposado” pelo filho Eduardo Bolsonaro, o famoso “Bananinha” – já que o pai era um mero milico reaça fracassado sem ideias próprias –, foram “empurrados” pela turba nas manifestações de 2015-16 e se encontraram meio a contragosto na vitória de 2018.

Como diz minha avó, “dois bicudos não se beijam” (ou como ouvi outro dia sobre a China e os EUA, “não pode haver dois tigres no topo de uma mesma montanha”), portanto, a ruptura foi inevitável. Em poucos meses, sem colher os louros que julgava merecidos, mas que sequer foram prometidos pelo novo governo, Olavo partiu pra velha tática de xingamentos, difamação e rancor; basta lembrar que suas duas indicações, Vélez Rodríguez pra Educação e Ernesto Araújo pras Relações Interiores, não duraram muito e hoje vagueiam na irrelevância. Nada disso diminuiu sua popularidade em meios aos apoiadores do caos que se instalava em Brasília, e o conglomerado Brasil Paralelo, com todo o estrago que promove na esfera da popularização de conhecimento, reivindica abertamente o “olavismo”.

Entre aulas fajutas, requisitórios coprolálicos e atuações que passaram pra história como verdadeiros memes, também acabei perpetuando alguns cortes de pensamentos isolados no Pan-Eslavo Brasil, meu finado canal no YouTube, ainda que pra me contrapor ao sujeito. De fato, em certa época quando tinha mais tempo, cheguei a dar olhadas em certos vídeos, e em dado momento a quantidade de cortes foi tão considerável que até me apelidaram de “Eslavo de Carvalho”, rs. E ao fim e ao cabo, resolvi transferir pra cá seus “melhores momentos”, incluindo bobagens, ideias reacionárias e afirmações fora de contexto. Nem todos estão datados nem têm a origem indicada, mas os seis primeiros vêm de uma entrevista remota que ele deu a Leda Nagle, outrora grande nome de nosso jornalismo que, infelizmente, terminou se rendendo ao fascismo tropical. Os títulos são os mesmos, ou quase, que dei no YouTube.

Adicionei também outros dois “clássicos” que não cheguei a republicar, mas estão entre meus “preferidos”... Aproveite o quanto puder e, se desejar, faça comentários e sugestões! IMPORTANTE: as marcas e endereços no vídeo, por se referirem a meu antigo canal, obviamente não funcionam mais.


O Brasil precisa se tornar um país civilizado:


Sobre o preconceito contra religiões, pessoas LGBT e negros:


Todo mundo é analfabeto funcional... menos eu:


Olavo define “fascismo” como o regime atualmente em vigor:


Olavo diz que a única coisa de que sente saudades no Brasil é de pastel com caldo de cana; único e inusitado momento “povão” que conheço dele:


Olavo diz que não tem medo de morrer; “ficar eternamente neste planeta seria um horror” é algo com que, confesso, eu concordo, mas vai de encontro à obsessão da “tecnoligarquia” que hoje se pendurou no saco de Trump:






Iosif Stalin seria “o maior estrategista da história humana”. Na época, muitos me criticaram por tirar este trecho do contexto maior do vídeo completo, cujo conteúdo, porém, afirmando que “Stalin criou o nazismo”, mal tem qualquer valor intelectual ou didático. Mas a intenção foi mesmo provocar, chocar ou fazer rir, pois todo mundo sabia a real posição ideológica do Olavo e não poderia tirar qualquer conclusão positiva dessa fala. O que soa engraçado, no vídeo de janeiro de 2017, é fazer parecer que ao chamar Stalin de “o maior estrategista da história humana”, ele ainda vê algum mérito em sua figura. Segundo o pensador, “tudo aconteceu do jeito que ele disse, e ele obteve tudo o que ele queria”, ficando de fato ao internauta informado a missão de saber que isso não implica nenhuma adesão ao comunismo. O áudio original estava baixo demais, então ao editar, além de cortar o quadro, aumentei consideravelmente o volume:


Outro momento “comunista só que não”, ao dizer que o povo é a fonte de toda democracia (ao som da Internacional):


“Só que não” mesmo, pois afirma que Bolsonaro tinha que combater o comunismo, mas não tomava nenhuma medida nesse sentido:


Não existe uma direita no Brasil:


A política não é uma luta de ideias:


Sobre os comunistas brasileiros (novembro de 2019):


Olavo explica as preliminares sexuais:


Olavo finalmente rompe com Bolsonaro e o manda enrabar condecoração oferecida (começo de junho de 2020, ao som do hino da URSS):


Montagem sem graça (mas que fez algum sucesso!) que fiz com a música da antiga propaganda do Café Seleto (vídeo de 2017):








sexta-feira, 6 de março de 2026

Verdades sobre a vida

Um amigo meu quis fazer besteira com IA (até agora não entendi o que passou pela cabeça dele), mas acabei tendo outra ideia:



É como reza a sabedoria popular: a beleza passa...



... mas a virtude e o caráter...



... sempre permanecem!


quinta-feira, 5 de março de 2026

O Temer da Shopee ataca novamente

Eis aqui o mais recente pronunciamento de Rezā Pahlavi, filho do último xá do Irã, Mohammad Rezā Pahlavi (que fugiu da turba em fúria em 1979, covarde igual ao tsar Nicolau 2.º, e não foi “deposto”, como dizem na mídia), logo depois do fim do “líder supremo”. Como de costume, ele manda o povo ir lutar na rua, protegido em seu conforto nova-iorquino, toda vez que ocorre uma crise maior. É mais um representante das incontáveis casas monárquicas inexistentes, dentre as quais se destaca, por sua lacração online, a Família Irreal Bananeira, cuja “membra” mais visível tem sido a princesa Gabiroba.

Não quero arrogar a certeza sobre qual é o futuro ideal pro Irã, mas verdade seja dita: por mais que entre grande parte dos exilados e entre camadas jovens ainda no país o príncipe herdeiro seja popular, sua figura, muito menos uma possível volta da monarquia, estão longe de fazer unanimidade. Não só o reinado do último xá foi marcado por uma repressão comparada à atual, mas também seu pai, que “inaugurou a dinastia”, enquanto militar, dando um golpe em seu antecessor, procurou assimilar outras etnias aos persas dominantes e foi derrubado por não se curvar à sede de petróleo dos EUA. Mohammad não queria nem estava preparado pra reinar, o que o levou a tomar as piores decisões durante os protestos populares; e justamente hoje, o aspirante a rei é contestado por seu alinhamento incondicional a Israel, que o quer no lugar da “república islâmica” a qualquer preço (enquanto o próprio Laranjão não bate o martelo).

Eu traduzi o discurso usando o Google por meio da versão em inglês, já que ela deve ter sido feita pela equipe a partir do original persa e ficaria mais confiável do que se eu usasse este último no tradutor. Mesmo assim, comparei o resultado com o texto de partida e, quando necessário, consultei a respectiva palavra em persa:


Meus compatriotas,

Ali Khamenei, o Zahhāk [personificação do mal na mitologia iraniana] de nossos tempos – o demônio que, há poucas semanas, ordenou o massacre de dezenas de milhares dos melhores filhos e filhas do Irã –, se foi.

Com sua morte vergonhosa, e a de muitos de seus nomeados e aliados, a República Islâmica está dando seus últimos suspiros. Por meio da vontade e coragem de vocês, em breve ela vai ser relegada à lata de lixo da história. A grande nação do Irã busca a queda completa da República Islâmica, e nós vamos derrubar este regime demoníaco.

Minha mensagem aos funcionários remanescentes desta república do terror é esta: rendam-se à nação iraniana. Declarem sua lealdade a meu plano e a nossa estrutura de transição, e entreguem o poder sem mais derramamento de sangue.

Qualquer tentativa dos remanescentes do regime de nomear um sucessor pra Khamenei está fadada ao fracasso desde o início. Quem quer que eles coloquem em seu lugar não apenas vai carecer de legitimidade, mas também ser cúmplice dos crimes deste regime.

Aos militares, às forças policiais e de segurança, eu digo: suas armas devem ser usadas pra defender a grande nação do Irã, não a república do crime, da brutalidade e de seus criminosos anti-iranianos. Unam-se ao povo do Irã e à Revolução do Leão e do Sol. Usem suas armas pra proteger os iranianos contra os mercenários da República Islâmica, pra que este pesadelo de 47 anos termine mais rapidamente.

A morte do criminoso Khamenei, embora não pague o sangue derramado, pode acalmar os corações feridos de pais e mães, cônjuges e filhos, irmãs e irmãos enlutados; um consolo pras famílias orgulhosas dos mártires da Revolução do Leão e do Sol do Irã.

Povo honrado e corajoso do Irã,

A morte do déspota de nosso tempo, embora marque o início de nossa grande celebração nacional, não é o fim da jornada. Permaneçam vigilantes. Estejam preparados. A hora de uma presença ampla e decisiva nas ruas está muito próximo.

Peço a vocês que, mantendo-se em segurança, demonstrem sua satisfação e apoio ao esmagamento da República Islâmica por meio de cânticos noturnos e que gritem suas exigências pro futuro do Irã. Minha força provém da força e do apoio de vocês.

Peço aos iranianos no exterior – que durante semanas, sem cansaço nem pausa, têm trabalhado como a voz poderosa de nossos compatriotas no Irã – que intensifiquem seus esforços. Forcem o mundo a ouvir o apoio do povo iraniano a esta intervenção humanitária e nossa exigência da queda completa do regime.

Temos dias sensíveis pela frente. Juntos, vamos trilhar o caminho da vitória e derrubar a República Islâmica.

Viva o Irã.
Rezā Pahlavi


quarta-feira, 4 de março de 2026

Quem ri por último, chora melhor

Ci tá na Grobe, é pruquê é verdadj. E de fato, não esperei só o Plim-Plim, mas também a confirmação do morrimento do óia-tô-lá “Ale Camenei” pelo próprio regime iraniano. A Moçada do Bibi do Hamas disse? O Laranjão disse? Não acredito totalmente. Mas dada a bagunça provocada em Teerã, o resultado era esperável, abrindo mais um capítulo histórico dos tempos modernos. Se ainda antes do Jornal Nacional houve um “Plantão terrível” quando Washington anunciou o feito, o genro da Garota de Ipanema só apareceu na propaganda da novela Três Graças quando a própria ditadura confirmou mais um cancelamento de CPF seu.

Desta vez não houve a vinheta da diarreia imediata, e embora no domingo eu tenha hackeado o vídeo do portal G1, no sábado à noite consegui voltar a programação ao vivo por meio da transmissão aberta ao vivo na plataforma Globoplay, assim que soube em outros sites, pouco antes de ir dormir, que “é verdade esse bilete”. Como em Bragança Paulista assistimos à afiliada TV Vanguarda (que transmite de Mas Bom Mesmo é Viver em São José dos Campos), logo antes estava passando um boletim do tempo pras regiões cobertas, e mal terminou a trilha sonora, já apareceu a cara do Tralha. Mas isso foi aqui: já no Irã, pelo menos dois necrológios rodaram as redes, e num deles, o apresentador irrompeu em prantos, bem ao estilo Coreia do Norte.

Em dois momentos, seu “soluço” parece tão fingido (alguém viu as lágrimas?) que chegamos a ter a impressão dele estar rindo, ou se segurando pra não rir e ir parar na forca. Note que aparentemente, mesmo atrás das câmeras, alguém deixa soltar uma risada; já pode ser considerado um dos momentos mais constrangedores da geopolítica televisada, e por isso separei os dois trechos pra que você possa fazer memes à vontade, bem como incorporei a publicação original do portal Metrópoles:



Mais legal ainda foi nesta segunda ter aparecido uma propaganda no portal G1, paga pra ser mostrada pelo Google, em que a Moçada sugere aos iranianos, em persa, que vejam a situação em seu país por sobre a censura oficial. Parece que uma versão ampliada dessa mensagem também foi publicada nas redes oficiais israelenses e nas ligadas aos apoiadores do Pahlanada. Eu hein, depois daquela dos beeps do Hezbollah, eu que não clico nisso! (Eu mesmo transcrevi e joguei no tradutor, fazendo poucas mudanças.)

سازمان موساد
برادران و خواهران ایرانی ما،
اینجا کلیک کنید و عکسها و ویدیوهایی
از آنچه اکنون در خیابانها اتفاق می افتد.
را با ما به اشتراک بگذارید ما با شما هستیم!

[Organização] Mossad
Nossos irmãos e irmãs iranianos,
Cliquem aqui para ver fotos e vídeos
do que está acontecendo nas ruas agora.
Estamos com vocês!





Afinal, é assim que nascem as revoluções:


Depois de ver isso, me veio à memória algo que eu teria visto na adolescência, e eu estava certo. A Turquia de 2001, segundo o Livro do ano 2001-2002 editado pela mesma casa da velha Enciclopédia Barsa, também teve um dólar milionário. Aliás, o valor crescia a cada ano: mais de 400 mil liras turcas em 1999, mais de 600 mil em 2000... Mas daí veio o Tobogã e transformou o Império Otomano num país deter-gente, ops, emergente, rs:


Após o morrimento de Ali Khamenei, Carlos Henrique de Brito Cruz, físico e engenheiro brasileiro e ex-reitor da Unicamp, foi escolhido pra ocupar o cargo de líder supremo temporário. Quando a publicação for ao ar, não se sabe se ele ainda vai estar vivo:




terça-feira, 3 de março de 2026

Khamenei cancelado: memes fortes

É um momento histórico, gostemos ou não dos resultados e do modo como foi feito, portanto, eu não podia deixar passar. Mais material vai aparecer, mas esta nova leva resulta de uma simples entrada no esgotão do Équis, pra ver como o Molusco teria reagido ao morrimento de um dos maiores carniceiros da história recente. Felizmente, ele só tá se ocupando do que importa e publicando coisas sobre as tragédias das chuvas no leste de Minas Gerais.

Tive então a ideia de ir ao perfil do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) e vi uma sucessão de notas insossas sobre as muitas crises acontecendo na região chamada genericamente de “Oriente Médio”: primeiro, a guerra que subitamente explodiu entre Paquistão e Afeganistão, aparentemente esquecida ou sequer notada por todos; depois, os bombardeios de Israel e EUA contra o Irã, as retaliações deste contra bases americanas nos países árabes do Golfo e, finalmente, a confirmação da sublimação de Ali Khamenei.

A Bozolândia se apressou em reagir, mas em se tratando dessa raça, podemos esperar as piores coisas, e mesmo com relação à Jararaca, alguns “memes” são realmente de uma nojeira e descabimento profundos. Além disso, tem o fato de chuparem o saco do Laranjão e do Bibi do Hamas, que são outros grandes criminosos internacionais. Mas uma coisa que tenho em comum com o gado e seus berranteiros é a repulsa pelo que um bando de velhos doentes batizou de “república islâmica” (expressão contraditória, se analisarmos bem) e usou pra destruir o futuro de gerações.

Não tenho político de estimação nem tenho escrúpulos ao criticar governos, governantes e seus apaniguados. Porém, dada minha decência moral em alguns pontos, quero esclarecer os critérios pra escolha dessas montagens que copiei do parquinho do Ilomasque, muitas delas, obviamente, feitas por sua pedo-tarada ferramenta de IA.

Não sou anti-Lula, mas não morro de amores por ele, muito menos pelo PT. Mesmo não concordando com todas as acusações feitas contra ele, não ligo em manter alguns estereótipos sem maiores consequências. Tirei a autoria ou origem de contas abertamente bolsonaristas, pois não quero confusão de minhas ideias com a dessa gente. (Se pra você meu posicionamento já basta pra tal equiparação, se jogue de uma ponte.) No limite do possível, evitei figuras que exaltassem demais os caciques de Washington e Tel Aviv, mas às vezes seu próprio regozijo fazia parte da piada. Se havia informação falsa, então, passei longe.

Também evitei a sanguinolência excessiva, mas como alguns memes mais “feios”, embora repetitivos, tiveram meu total aval, resolvi lhes dedicar esta segunda publicação; se você não gosta de emoções fortes, recomendo pensar duas vezes antes de prosseguir. Em todo caso, lembrem-se: mantenham o senso crítico, o povo comum em primeiro lugar, não tenham reis de estimação e nunca apostem no “acerto” ou “erro” completo de qualquer escolha.


É sempre perigoso colocar o Adolfo em assuntos relativos a Israel e aos judeus, mesmo em se tratando do carniceiro Bibi do Hamas. Porém, tirando essa comparação típica de todo mundo que quer extremar um debate, a referência ao Jeff das Lolitas até que tem bastante pertinência, e vários especialistas aludiam à possibilidade do Laranjão fazer isso.

Fora isso, achei este perfil bastante intrigante, primeiro pela própria descrição bizarra. Segundo, porque vários perfis pró-ditaduras, antissemitas e ultrarradicais de apartamento reivindicam abertamente o PT e sua Jararaca, mas estes jamais procuraram se distanciar dos mais aloprados. E terceiro, como ela se chama “Golda Meir”, ex-premiê e uma das maiores odiadoras de palestinos, mas destila ódio contra o Estado judeu?

















Não só ex-querdistas, mas qualquer um com espírito de manada e carência de neurônios...

segunda-feira, 2 de março de 2026

Khamenei cancelado: memes leves

É um momento histórico, gostemos ou não dos resultados e do modo como foi feito, portanto, eu não podia deixar passar. Mais material vai aparecer, mas esta primeira leva resulta de uma simples entrada no esgotão do Équis, pra ver como o Molusco teria reagido ao morrimento de um dos maiores carniceiros da história recente. Felizmente, ele só tá se ocupando do que importa e publicando coisas sobre as tragédias das chuvas no leste de Minas Gerais.

Tive então a ideia de ir ao perfil do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) e vi uma sucessão de notas insossas sobre as muitas crises acontecendo na região chamada genericamente de “Oriente Médio”: primeiro, a guerra que subitamente explodiu entre Paquistão e Afeganistão, aparentemente esquecida ou sequer notada por todos; depois, os bombardeios de Israel e EUA contra o Irã, as retaliações deste contra bases americanas nos países árabes do Golfo e, finalmente, a confirmação da sublimação de Ali Khamenei.

A Bozolândia se apressou em reagir, mas em se tratando dessa raça, podemos esperar as piores coisas, e mesmo com relação à Jararaca, alguns “memes” são realmente de uma nojeira e descabimento profundos. Além disso, tem o fato de chuparem o saco do Laranjão e do Bibi do Hamas, que são outros grandes criminosos internacionais. Mas uma coisa que tenho em comum com o gado e seus berranteiros é a repulsa pelo que um bando de velhos doentes batizou de “república islâmica” (expressão contraditória, se analisarmos bem) e usou pra destruir o futuro de gerações.

Não tenho político de estimação nem tenho escrúpulos ao criticar governos, governantes e seus apaniguados. Porém, dada minha decência moral em alguns pontos, quero esclarecer os critérios pra escolha dessas montagens que copiei do parquinho do Ilomasque, muitas delas, obviamente, feitas por sua pedo-tarada ferramenta de IA.

Não sou anti-Lula, mas não morro de amores por ele, muito menos pelo PT. Mesmo não concordando com todas as acusações feitas contra ele, não ligo em manter alguns estereótipos sem maiores consequências. Tirei a autoria ou origem de contas abertamente bolsonaristas, pois não quero confusão de minhas ideias com as dessa gente. (Se pra você meu posicionamento já basta pra tal equiparação, se jogue de uma ponte.) No limite do possível, evitei figuras que exaltassem demais os caciques de Washington e Tel Aviv, mas às vezes seu próprio regozijo fazia parte da piada. Se havia informação falsa, então, passei longe.

Também evitei a sanguinolência excessiva, mas como alguns memes mais “feios”, embora repetitivos, tiveram meu total aval, resolvi lhes dedicar uma segunda publicação que vai sair amanhã. Em todo caso, lembrem-se: o povo comum em primeiro lugar, mantenham o senso crítico, não tenham reis de estimação e nunca apostem no “acerto” ou “erro” completo de qualquer escolha.





Esse momento ficou pra história, todo mundo lembra, rs: posse do “presinada” Vovô Pezê, após o açougueiro Raisi ter sido apedrejado por uma montanha.



















“Aiatolula Roubar-Lhe-Ei”, rs.



É “Chávez”, e não “Chaves”, igual ao programa preferido do Jenossias. Mas não tive como corrigir pra fazer a burrada desparecer...

domingo, 1 de março de 2026

A guerra eterna de Putin (The Economist)

Um amigo meu me mandou esta matéria da revista britânica The Economist, publicada na coluna Leaders da edição de 21 de fevereiro de 2026 e intitulada “Putin’s forever war”. A tradução do título, sugerida pelo Google, foi “A guerra sem fim de Putin”, mas eu prefiro chamar de guerra eterna, já que, além de soar mais elegante, forever de fato significa “pra sempre”. Como ficou óbvio, usei o Google pra poupar tempo de digitação, mas como sempre faço nesses casos – e reitero pra que ninguém esqueça –, confrontei o resultado com o original em inglês, já que a mão humana sempre deve finalizar os trabalhos automáticos. Salvo por algumas particularidades redacionais, optei por mexer o mínimo possível no resultado e não lhe imprimir meu famoso “estilo coloquial”.

Exceto pelas curtas notas, concordo em cada vírgula com o texto (que deve ser editorial), pois ele reflete inclusive as análises do jornalismo opositor russo mais próximo das realidades locais – em Moscou e em Kyiv – e de outras organizações ao redor do mundo dedicadas a monitorar os combates. A montagem abaixo, inclusive, vem de um print que fiz do programa analítico semanal de Mikhail Fishman na TV Rain. E é incrível como a mentalidade dos intelectuais e acadêmicos brasileiros continua muito alheia a isso, alegando “distância sanitária” do mundo “imperialista”. E mesmo que o imperialismo ocidental seja um dado irrefutável, como prova a intervenção israelo-americana no Irã iniciada ontem, ainda não programei materiais sobre o que pode futuramente acontecer na região.



O presidente da Rússia não consegue vencer a guerra, mas teme a paz

Você poderia pensar que, após quatro anos sangrentos, uma guerra que nenhum dos lados consegue vencer teria se extinguido sozinha. Mas não a guerra na Ucrânia. E a culpa recai sobre um único homem.

Vladimir Putin está preso em um dilema criado por ele mesmo. As chances de seus exércitos na Ucrânia produzirem algo que ele possa chamar de vitória estão diminuindo. Muitas pessoas esperam que as negociações de paz, que continuam em Genebra esta semana, lhe deem uma saída, porque o presidente Donald Trump forçará a Ucrânia a ceder território. Na verdade, essa rota de fuga está se tornando cada vez menos provável. E mesmo que um acordo de paz fosse concluído, as consequências dentro da Rússia poderiam causar instabilidade econômica e política, arruinando os planos de Putin de ser considerado um dos maiores tsares da história.

O primeiro problema para o presidente da Rússia é o campo de batalha. Na Grande Guerra Patriótica, de junho de 1941 a maio de 1945, o Exército Vermelho avançou 1 600 km de Moscou a Berlim. Nesta guerra prolongada, as forças russas em Donetsk, o foco principal, avançaram apenas 60 km – a mesma distância entre Washington e Baltimore.

A Rússia não conseguiu gerar força de combate suficiente para romper as linhas ucranianas. Na “zona de morte” de 10 a 30 km ao redor da linha de frente, vulnerável a drones e seus operadores oniscientes, soldados e equipamentos não podem se concentrar sem se tornarem alvos. Mesmo que as forças russas consigam romper as linhas ucranianas, elas têm dificuldades para explorar seu sucesso.

Na trajetória atual, Putin não conseguirá mudar isso. Nos primeiros três anos, a Rússia estava construindo seu exército. No final do ano passado, estava perdendo mais homens do que conseguia recrutar. Eles são mal treinados, o moral está baixo e as taxas de deserção estão mais altas do que nunca. A Starlink cortou o acesso das forças russas aos terminais contrabandeados dos quais dependiam para localizar alvos. Seu próprio governo cortou o Telegram, que eles usavam para se comunicar na linha de frente.

Putin terá dificuldades para aumentar a quantidade e a qualidade dos recrutas. A Rússia depende do dinheiro, e não do patriotismo, para alistar soldados. A probabilidade de morte ou ferimentos, a negligência com os veteranos e a tentativa do Estado de se esquivar do pagamento de indenizações [“coffing money”, entre aspas no original] às famílias dos soldados mortos estão elevando o custo do recrutamento. Desde junho de 2025, segundo o think tank Re: Russia [portal independente de análises e discussões], o bônus médio de alistamento aumentou meio milhão de rublos, chegando a 2,43 milhões de rublos (US$ 32 mil). Está cada vez mais difícil encontrar dinheiro. A conta anual de 5,1 trilhões de rublos para tudo isso equivale a 90% do déficit orçamentário federal. O restante da economia está encolhendo. Os pagamentos da dívida estão aumentando. A perspectiva para as receitas do petróleo é ruim.

O esforço de guerra da Rússia não está prestes a entrar em colapso. Putin pode atacar cidades e redes elétricas ucranianas para destruir o moral e a economia. Mas é improvável que ataques aéreos por si só levem à capitulação. Ele pode acreditar que a Europa abandonará a Ucrânia, mas o apoio europeu aumentou no ano passado. Sua maior esperança pode ser que a Ucrânia, sofrendo com grave escassez de mão de obra e equipamentos, passe por uma crise política ou comece a ficar sem combatentes e armas antes da Rússia. No entanto, a aposta de Putin no colapso ucraniano tem sido perdedora nos últimos quatro anos – e as probabilidades estão diminuindo.

Por que, então, ele não concorda com a paz? Se Putin pudesse consolidar os ganhos da Rússia e se reagrupar, ele sempre poderia atacar a Ucrânia novamente em algum momento no futuro.

Na verdade, é improvável que qualquer plano de paz satisfaça a Rússia. As negociações têm um caráter de fachada [Potemkin quality], ilustrado pela promessa absurda de um dividendo de paz de US$ 12 trilhões, grande parte a ser dividida entre a Rússia e os EUA (ver a seção Finanças). Também é improvável que elas deem a Putin o território que ele não conseguiu tomar pela força e que ele deseja para declarar vitória.

Para a Ucrânia, entregar seu território mais bem defendido seria um desastre estratégico. E embora Trump ainda tenha influência, sua capacidade de pressionar Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, a aceitar um mau acordo já passou de seu auge. É verdade que os EUA ainda vendem armas vitais para a Europa, que as repassa para a Ucrânia. Mas a Ucrânia agora depende menos da inteligência americana do que antes, e os EUA reduziram em 99% seu financiamento da guerra. Se, como parece provável, qualquer acordo de paz envolver garantias de segurança americanas para a Ucrânia que estejam consagradas em um tratado, o Senado terá que ratificá-lo. Isso também ajudará a evitar um acordo unilateral.

Outro motivo para Putin ser cauteloso quanto a um acordo é que a própria paz poderia desencadear uma crise na Rússia. Como explica nossa coluna de opinião, a Rússia desviou tantos recursos para a defesa, agora representando 8% do PIB, que o restante da economia está debilitado (ver a seção By Invitation). A ilegalidade do regime e a perspectiva de novas hostilidades afastarão novos investidores. O desafio de realocar recursos da guerra para a paz, incluindo encontrar trabalho para os soldados que retornam da frente de batalha, pode induzir uma profunda recessão.

A situação política também seria desagradável. Veteranos descontentes desestabilizam regimes, especialmente na Rússia, como aconteceu antes da revolução de 1917 e depois da guerra no Afeganistão na década de 1980. Pesquisas sugerem que os russos inicialmente receberiam bem o fim dos combates. Mas certamente surgiriam questionamentos: sobre a campanha mal conduzida, o desperdício de vidas e recursos e a humilhante dependência da Rússia em relação à China para apoio financeiro e militar em nome da preservação de sua própria civilização. Isso poderia limitar a capacidade de Putin de reiniciar a guerra. Poderia inclusive representar uma ameaça a seu poder.

Putin não pode desistir da guerra, mas o custo de mantê-la está aumentando. Se suas tentativas de gerar mais força de combate apenas enfraquecerem ainda mais a Rússia, isso poderá levar a uma crise. Caso contrário, a Ucrânia e a Rússia ficarão presas no conflito. Há algo que possa ser feito para acabar com isso? Investigar a frota secreta da Rússia e ativar um plano do Senado para punir os compradores de seu petróleo poderia limitar as receitas de exportação. Contrariar a propaganda de Putin de que os EUA e a Europa estão empenhados em destruir a Rússia ajudaria. Assim como corrigir suas alegações de uma inevitável vitória russa: ninguém, muito menos Trump, gosta de apoiar um perdedor.

É difícil forçar um ditador a agir. Em última análise, a disposição de Putin em continuar lutando depende da dor que ele está disposto a infligir. Mas quanto mais dor houver, mais claro ficará para os russos que ele está trazendo a ruína sobre eles.



sábado, 28 de fevereiro de 2026

Sergio Endrigo cantou em grego (2)

Depois do clássico com minhas traduções de duas músicas do italiano Sergio Endrigo cantadas em croata, que publiquei em 2018 e já foram até incorporadas pela inteligência artificial do Google, chegou a hora da tradução de outras quatro pérolas que o mito gravou em grego! Ele lançou canções em muitos idiomas, inclusive português, algumas delas traduções de seus próprios sucessos em italiano, como é o caso das apresentadas aqui, traduzidas pelo jornalista, diretor e produtor de rádio ateniense Níkos Mastorákis (n. 1941). O verbete da Wikipédia em grego sobre Endrigo remete a esse Mastorákis, embora eu tenha dúvidas sobre sua identidade: se correta, trata-se de um pioneiro da TV nacional, que ajudou a fundar muitos canais e radioemissoras, mas ficou manchado por seu apoio à junta dos coronéis que tomou o poder em 1967.

Há muitos anos escuto essas músicas privadamente, mas só agora tive a ideia de procurar suas letras na internet. Infelizmente, é uma missão bastante difícil, e apenas das faixas do primeiro compacto (1965), que publiquei ontem, existem textos mais ou menos encontráveis numa busca. Aliás, um dos objetivos desta publicação é justamente tornar a procura mais fácil, deixando-os disponíveis ao público que sabe grego. No caso das duas canções de hoje, gravadas num compacto de 1966, me vali da versão gratuita de uma ferramenta online de IA que transcreve com mais ou menos perfeição a partir de diversas línguas, e das legendas baixadas do YouTube (quando disponíveis), ambas sendo comparadas.

O nome delas é “Και τώρα ναι” (Kai tóra naí), versão da Adesso sì composta toda por Endrigo e que só ganhou uma conjunção no título original: E agora sim; e “Όλα τα κορίτσια και τ’ αγόρια του κόσμου” (Óla ta korítsia kai t’ agória tou kósmou), Todas as meninas e meninos do mundo, versão de Girotondo intorno al mondo, poema do francês Paul Fort traduzido e musicalizado por Endrigo. Eu traduzi as quatro canções com a ajuda do Google, pois não há traduções literais em nenhum lugar. Como não sei se nem a tradução nem a transcrição estão corretas, sinta-se livre pra fazer qualquer sugestão ou correção nos comentários! A divisão dos versos é minha, inspirada na sonoridade do canto, e em cada linha também decidi tirar a maioria da pontuação no final e sempre colocar as primeiras letras em maiúsculas no começo.

Sergio Endrigo dispensa apresentações, mas hoje tem uma surpresa! Nessas buscas, acabei encontrando por acaso o cantor grego Lákis Tzordanélli (ou Tzorntanélli, um pseudônimo talvez adaptado de “Giordanelli”), nascido em 1948 e que fez sucesso nas décadas de 1960 e 1970 com um estilo parecido com o de nossa “jovem guarda”. Não por acaso, um dos lados de seu compacto de 1968 se chama “Το κορίτσι του φίλου μου” (To korítsi tou fílou mou), mesmo significado do original Namoradinha de um amigo meu de Roberto Carlos, mas traduzido por Kóstas Tserónis a partir do italiano La donna di um amico mio, gravado pelo próprio “Rei” e que eu mesmo traduzi ainda em 2017. O primeiro vídeo é do detentor dos direitos autorais, e o segundo tem legendas colocadas por um fã:


E agora sim
Que você está indo
Pra outros mundos
Vou fazer chover orvalho
Com suas lágrimas

Porque é tarde demais
Pra encontrar novamente
Algumas palavras
Porque com o tempo
Tudo acaba
E não choramos
Mais como antes

Agora você vai partir
Pra muito longe sem mim
E vai se envolver
Num mundo que não conhece
E talvez encontre
Entre estranhos
Um coração

E agora sim
Que você está indo
Pra outros mundos
Envio o pensamento
De companheirismo
Vou estar onde quer
Que você vá

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Και τώρα ναι
Τώρα που πας
Σε κόσμους άλλους
Εγώ θα φτιάξω
Από τα δάκρυα
Τη δροσιά της βροχής

Γιατί αργά πια
Να ξαναβρούμε
Λίγες λέξεις
Γιατί την ώρα
Όλα τελειώνουν
Και δεν κλαίμε
Όπως πριν

Τώρα θα πας
Πολύ μακριά χωρίς εμένα
Και θα μπλεχτείς
Μέσα σε κόσμο που δεν ξέρεις
Κ’ ίσως να βρεις
Μέσα στους ξένους
Κάποιο πρωί
Μια καρδιά

Και τώρα ναι
Τώρα που πας
Σε κόσμους άλλους
Στέλνω την σκέψη
Για συνδροφία
Θα ’μαι εκεί εγώ
Όπου κι αν πας


Se todas as meninas
As meninas do mundo
Dessem as mãos
Dessem as mãos
Formariam um círculo de amor
Ao redor de nossa terra
Que pertence a elas

E se todos os meninos
Os meninos do mundo
Crescessem em dignidade
E entregassem seus corações
Nossa terra se encheria de amor
E então se tornaria
Uma nova esperança

E se todos nós, estranhos
Nos tornássemos amigos
E déssemos as mãos
Não seria mentira
Faríamos uma mão, uma chama
E um verão
Ao redor do mundo

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Αν όλα τα κορίτσια
Τα κορίτσια του κόσμου
Αν έδιναν τα χέρια
Αν έδιναν τα χέρια
Θα φτιάχναν έναν κύκλο απ’ αγάπη
Γύρω απ’ τη γη μας
Που είναι δική τους

Κι αν όλα τα αγόρια
Τα αγόρια του κόσμου
Μεγάλωναν τον κύρο
Και χάριζαν την καρδιά τους
Θα χαίμιζε η γη μας απ’ αγάπη
Και θα γίνει όταν
Καινούργια ελπίδα

Κι αν όλοι εμείς οι ξένοι
Πίνομαστε φίλοι
Και δίναμε τα χέρια
Δεν θα ήταν ψέμα
Θα φτιάχναμε ένα χέριο και μια φλόγα
Και καλοκαίρι
Γύρω απ’ τον κόσμο




Preciso te contar o que está acontecendo
Comigo, porque estou enlouquecendo
Sei que é errado
Mas não sei como cheguei a isso

Estou apaixonado
Por uma garota de um amigo
Aquela garotinha abriu uma ferida em mim

Não sei mais o que fazer
Nenhum dos dois deveria saber
Preciso esquecer
O olhar dela que me enlouqueceu

E agora estou tentando
Embora fique triste
Afastar a figura que me machuca

Vou tentar encontrar
Outra pessoa pra amar
Que não pertença a ninguém
Que os arrependimentos desapareçam
E eu me alegre um pouco
Que não pertença a ninguém
Que os arrependimentos desapareçam
E eu me alegre um pouco

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Αυτό που τώρα μου συμβαίνει
Πρέπει να σας πω γιατί θα τρελαθώ
Ξέρω ότι είναι λάθος
Μα δεν ξέρω πώς το έπαθα αυτό

Ερωτευμένος ζω
Για το κορίτσι αυτό
Του φίλου μου η μικρή μ’ άνοιξε πληγή.

Δεν ξέρω πλέον τι να κάνω
Δεν θα πρέπει να το μάθουνε κι οι δυο
Πρέπει να ξεχάσω
Το βλέμμα της αυτό που μ’ έκανε τρελό

Και τώρα προσπαθώ
Αν και θα λυπηθώ
Να διώξω πια τη μορφή που πονώ

Θα ψάξω για να βρω
Μιαν άλλη ν’ αγαπώ
Σε κανέναν να μην ανήκει
Να φύγουνε οι τύψεις λίγο να χαρώ
Σε κανέναν να μην ανήκει
Να φύγουνε οι τύψεις λίγο να χαρώ