quarta-feira, 28 de maio de 2025

As piores unções pentecostais

Quem curtiu a internet “das antigas” (até 2015, quando muito) conhece essa figurinha aí em cima: é o chamado “Pastor Pilão”, “Pastor Pião (da Casa Própria)” ou ainda “Pastor Zangieff” (em referência ao personagem do jogo e desenho Street Fighter), que numa dessas “possessões” comuns, sobretudo, em igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais, começou a girar rápida e compulsivamente, como se fosse um místico sufi ou um bailarino do noroeste do Cáucaso. Supostamente fora de controle e com as forças esgotadas, é finalmente amparado por um certo pastor Marco Feliciano, hoje conhecido por ser a ponta de lança mais execrável do evangelofascismo no Legislativo bananeiro. Não sei se chegou a circular por e-mail, como ocorria no começo, pois só o conheci muitos anos depois, mas as primeiras publicações no YouTube ganharam rapidamente o país.

Esse foi um dos primeiros casos em que tais “manifestações do Espírito Santo” se tornaram virais, primeiro cortadas de programas de TV, depois gravadas diretamente em celulares antigos e smartphones, tornando a vergonha alheia prontamente palatável. Não vou julgar do ponto de vista religioso, porque não tenho uma “fé” que sirva de “metro” pra tanto, e porque muitos evangélicos também condenam tais práticas, sobretudo em suas formas mais espetaculares, e reclamam que nossas igrejas estão “virando circos”. Também pouco me importo se mesmo os defensores das cenas mais inusitadas me julgarem intolerante, pois meu objetivo não é fazer humor com a crença em si, e sim com aspectos que realmente podem parecer risíveis ou mesmo, como qualquer coisa nessa vida, inusitados.


O raizíssimo “Pastor Pilão” foi pioneiro num gênero que inspira piadas até entre os próprios “crentes”. Porém, às vezes basta procurarmos uma coisinha no Google que de repente brota um mundo de informações do nada... e enquanto cientista social, é realmente isso que me interessa rs. Segundo este blog evangélico que encerrou suas atividades em 2018, o famoso meme seria um certo “cantor Moser”, falecido em novembro de 2011 e de quem alguns álbuns podem ser encontrados no YouTube. Pra adiantar aqui, internautas comentaram que ele teria sido gay até se converter, mas então já teria contraído HIV e falecido precocemente. As duas únicas publicações em seu Twitter no longínquo 2011 parecem apenas ser mensagens pra um tal “Pastor Juvenil”, até pedindo que ele o contatasse pelo Orkut, rs. E um de seus seguidores é justamente outra conta sua, um pouco mais ativa, em que se denomina “Presbítero (Levita) Moser”. Não há mais informações biográficas.

Voltando ao tema principal, demorei uns anos pra lançar esta publicação, primeiro porque fui acumulando alguns vídeos, e segundo porque não tinha tempo de fazer algumas edições básicas. Hoje, elas aparecem aqui com pequenas alterações e com as fontes citadas, caso ainda estejam disponíveis. Chamei genericamente de “unções”, como ocorre em alguns casos, mas esse nome pode ser impreciso: perdoe-me pela eventual ignorância terminológica que eu possa ter demonstrado até aqui! Portanto, aí vão As piores unções pentecostais (ou “melhores”, depende do ponto de vista...).

A “unção da galinha” é de longe minha preferida, porque a música, tirada não sei donde, combinou pra caramba! Embora tenha sido publicada por um brasileiro, é de origem afro-americana:


A “unção do helicóptero” é de 2010, brasileiríssima e editada por mim. Segundo os comentários, mistura louvor com exercício físico:


A “unção do macaco” parece ter vindo dos EUA, mas do mundo branco mesmo. Os internautas acharam mais parecido com uma britadeira ou com... Guilherme Boulos, rs:


A “unção do cadeira”, tupiniquim, foi publicada por um canal não por menos chamado “Apostasia”. Tirei os avisos iniciais e finais e fiz uma edição que vai pirar os saudosos dos anos 90! Os comentários estão fechados, mas recomendo altamente o conteúdo do canal, que traz outras unções malucas e “denúncias” de “macumba gospel” (!) e que vai nos informar que “Silas Malafaia é maçom”:


A “unção do axé”, assim denominada por mim mesmo, não foi editada exatamente porque ela justifica o próprio apelido. A conta do Équis foi apagada, mas denunciava (algo assim) as “heresias” que estavam transformando os cultos num “circo”:


A “unção da luta livre” (ou do UFC) é mais um crácico brazuca com edição minha, embora o axé também pareça muito animado. Porém, exceto pela hora em que o pastor leva as ovelhas nas costas, parece mais é um atracamento de machos safados, rs:


Dois vídeos com edições minhas vêm de nossos irmãozinhos africanos: a “unção do futebol” e a “unção do soco”. Não tenho confirmação, mas parecem ter vindo do Quênia ou de países próximos, que foram colônias inglesas (as ex-francesas e ex-portuguesas são mais católicas) e onde essas igrejas estão fazendo muito estrago se expandindo rapidamente:




Em homenagem a meu cabeleireiro Lucas Franco, que também é pastor da Igreja El Roi, segue esta “unção da prótese capilar”, rs! Um belo dia, ele resolveu me mandar uma demonstração desse serviço seu, mas colocou de fundo uma trilha cristã e... Louvai, carecas:


E pra terminar com animação, não exatamente uma unção, mas um pastor da Quadrangular que achei hoje por acaso, imitando várias vezes o passo moonwalk do Michael Jackson, ao som de uma canção deles mesmos. Ouvi um amém???


Adendo (25/3/2026): Desde que começou o bombardeio massivo do Irã pelos EUA e por Israel no último 28 de fevereiro, têm surgido muitas análises sobre a possível influência extremista evangélica sobre as decisões militares de Trump. Neste caso, além do “sionismo cristão” que curva a cabeça a tudo o que diz o Estado judeu, setores enxergam o combate ao país muçulmano como uma “luta do bem contra o mal” (a seu critério escolher quem é quem...). Este vídeo de 2020 da pastora pentecostal Paula White, “assessora presidencial pra assuntos religiosos” no primeiro e neste mandato, viralizou entre mídias e youtubers do mundo todo como uma espécie de indicação da “loucura” que estaria rondando os assessores da Casa Branca. Ela também aparece em vídeos recentes rezando com outros burocratas no Salão Oval, com as mãos “impostas” sobre o Laranjão.

Se você é tupiniquim e viu todos os vídeos acima, não deve lhe parecer estranho, mas é curioso que os comentários ianques da época mostram uma estranha “incredulidade”, enquanto em 2026 tal fenômeno religioso parece mais uma bizarrice em países pouco habituados a ele. Porém, a ênfase tem sido dada no início, em que Trump devia “strike” (golpear) seus inimigos, verbo repetido sete vezes seguidas e associado à sevícia aérea contra Teerã. Ela também pronuncia sequências sem sentido (parecidas com alfabetos), fica repetindo “I hear the sound of victory” (Estou ouvindo o som da vitória) e chega a falar de anjos que estariam vindo da África e da América do Sul. Os internautas não pouparam: “Eles não vieram porque não conseguiram visto”, rs.

Já o cara que fica passando calmamente de toalha por trás dela (“como se tivesse indo pra uma piscina”, comentaram...) é outro show à parte. Pra temperar esta publicação com os azares da geopolítica, por que não lançar agora a unção da bomba ou do bombardeio?


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